Luanda e grandes empresas concentraram em 2025 o crédito à economia real
- 16/01/2026
Segundo o governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Tiago Dias, os dados sobre o crédito à economia real de 2025 "mostram sinais encorajadores", com um crescimento de 22,6% em relação a 2024, correspondente a 1,36 biliões de kwanzas (1,2 mil milhões de euros), contudo inferior ao crescimento registado em 2024 em relação ao ano anterior (cerca de 30%).
Na apresentação dos dados, o diretor do Gabinete de Acompanhamento ao Crédito do BNA, Veloso Pedro, disse que, das 1.110 operações desembolsadas no âmbito do Aviso n.º 10/2024, que estabelece as regras e condições de crédito ao setor real da economia em Angola, 194 encontram-se em situação de incumprimento (17%).
Veloso Pedro sublinhou que, no ano passado, o Aviso 10 representou todo o crédito concedido ao setor real da economia, o que prova "que este instrumento de financiamento à economia é importante e necessário".
Sobre a concentração do crédito em Luanda e nas grandes empresas, Tiago Dias considerou ser natural, porque as estatísticas indicam que cerca de 80% das empresas se encontram na capital do país, bem como cerca de 30% da população angolana.
"É natural que o crédito também esteja concentrado em Luanda, devemos promover para que o crédito chegue a todas as províncias do país, mas esse é o papel das associações empresariais, que devem prestar apoio, assessoria, aconselhamento aos seus afiliados", frisou.
De acordo com os dados apresentados, Luanda absorveu 51,44% do crédito, registando contudo uma redução comparativamente aos anos anteriores, em que chegou a atingir 70%, destacando-se que a região leste continua a não ter acesso ao crédito, com exceção das províncias da Lunda Norte e Lunda Sul.
Em declarações à imprensa, o presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Angola, Vicente Soares, disse que o Aviso nº 10/2024 do BNA veio facilitar o processo de acesso ao crédito "que era bastante difícil".
"Ou seja, sem o Aviso 10 dificilmente os empresários teriam acesso ao crédito, achamos que foi uma boa iniciativa", disse Vicente Soares, admitindo que micro, pequenas e médias empresas têm dificuldades em cumprir com os critérios de acesso ao crédito, sendo as grandes empresas as maiores beneficiadas.
Vicente Soares considerou importante encontrar-se uma forma de definir percentagens para esta franja empresarial ter acesso a financiamentos, uma responsabilidade das associações empresariais e dos empresários.
"Todo o sistema financeiro deve contribuir para isso, o Banco Nacional ao fazer o Aviso 10 não fez apenas para regulação, fez para permitir que a economia tivesse condições de incrementar o processo de diversificação de economia", referiu.
Para o presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Angola, há necessidade de haver um acompanhamento mais rigoroso para que esta instrução do banco central seja cumprida de forma a que as micro, pequenas e médias empresas, que são a maioria, sejam financiadas.
Relativamente à concentração das empresas em Luanda, Vicente Soares sublinhou que as micro, pequenas e médias empresas nas províncias deviam ser estimuladas para forçar as que se encontram em Luanda "a se movimentarem para as províncias".
"Porque se as poucas que estão lá não têm acesso ao crédito e o crédito é feito em Luanda, as que estão nas províncias vão migrar para Luanda, porque é onde está o acesso ao crédito. Não é trabalho do Banco Nacional, é do sistema financeiro, dos ministérios e do setor privado, as associações empresariais", observou.
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