Ligação ferroviária entre Moçambique e África do Sul e Essuatíni parada
- 19/01/2026
"Temos a linha de Ressano Garcia, que liga o porto de Maputo até a fronteira de Ressano, com África do Sul, em que tivemos alguns pontos em que temos desabamento de taludes, que estamos a fazer o trabalho de reposição. Também temos pontos na zona de Moamba em que tivemos as águas a galgar a plataforma da linha e estamos a fazer o trabalho de abertura de canais para o escoamento das águas", disse à Lusa o diretor de operações ferroviárias dos CFM-Sul.
Segundo Arnaldo Manjate, o arrastamento dos solos pelas chuvas, balastros, carris e travessas suspensas destacam-se entre os danos ao longo das infraestruturas, com os CFM a indicarem que a interrupção da circulação de comboios na linha de Ressano Garcia é sobretudo devido às águas que galgaram alguns pontos, como na zona da Matola-Gare, no município da Matola, com os CFM a avançarem com abertura de valetas nas margens da ferrovia para permitir o escoamento das águas.
Cenário idêntico foi observado ao longo da linha de Goba, que liga Maputo ao vizinho Essuatíni, onde a circulação foi igualmente interrompida face às águas das chuvas que galgaram a linha, afetando a infraestrutura, impossibilitando a circulação: "Tem havido soterramento e as águas tendem a galgar a linha férrea. Isso acontece pela força das águas e fraca capacidade de drenagem das águas superficiais nesta zona".
Estas linhas juntam-se à do Limpopo, a mais extensa da zona sul e que liga Moçambique com Zimbábue, onde igualmente foi interrompida a circulação devido às chuvas na região sul do país.
"Em linhas gerais, todas as nossas linhas [no sul do país] estão praticamente afetadas neste período das cheias, daí a razão pela qual interditámos as circulações", disse o diretor de operações ferroviárias dos CFM-Sul, condicionandao a retoma à melhoria do estado do tempo e à reparação das infraestruturas.
O responsável acrescentou que os CFM estão ainda a avaliar os prejuízos.
O Governo moçambicano estimou hoje que 40% da província de Gaza está submersa. Vários distritos de Maputo estão inundados e regista-se a total destruição de pelo menos 152 quilómetros de estradas.
Segundo informação do Ministério dos Transportes e Logística, da avaliação feita até sexta-feira há ainda registo de "mais de três mil quilómetros praticamente afetados em todo o território nacional, de estradas classificadas".
Pelo menos 103 pessoas morreram e 173 mil foram afetadas desde o início da época das chuvas em Moçambique, registando-se a destruição total de 1.160 casas e de 4.000 parcialmente inundadas, avançou na sexta-feira o Governo, decretando alerta vermelho nacional.
Hoje prosseguem ações e tentativas de resgate de centenas de famílias que continuam sitiadas, algumas refugiadas em telhados de casas, tejadilhos de carros ou na copa das árvores, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique.
As fortes chuvas quase ininterruptas de há vários dias estão a obrigar as barragens, incluindo dos países vizinhos, a aumentar fortemente as descargas, por falta de capacidade.
Em Maputo, as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis, devido à subida das águas.
PME(PVJ) // JMC
Lusa/Fim













