Líder trabalhista escocês pede demissão de primeiro-ministro britânico
- 09/02/2026
Numa conferência de imprensa em Glasgow, transmitida em direto pelas televisões britânicas, Sarwar reconheceu a "amizade genuína" com Keir Starmer, tendo já comunicado aquela decisão ao primeiro-ministro britânico e líder trabalhista, que discordou.
"Não estou disposto a sacrificar o NHS [serviço de saúde] escocês, as nossas escolas e comunidades para permitir uma terceira década de um governo do SNP [Partido Nacional Escocês]", justificou Sarwar.
O líder trabalhista escocês disse que "a distração em Londres tem de terminar e a liderança em Downing Street precisa de mudar".
Sarwar defendeu que o escrutínio de 07 de maio, quando se vão realizar as eleições para a assembleia e governo autónomos da Escócia representa uma "oportunidade demasiado importante para ser desperdiçada".
Além da Escócia, realizam-se no mesmo dia eleições regionais no País de Gales e eleições autárquicas em muitas partes de Inglaterra.
Anas Sarwar é o dirigente trabalhista mais importante a defender a demissão de Keir Starmer, também pedida por alguns deputados do partido no Governo.
No entanto, Keir Starmer, no poder desde julho de 2024, descartou esta manhã a possibilidade de se demitir, indicou o porta-voz do chefe do Governo britânico, salientando que o líder trabalhista continua "concentrado no trabalho".
Starmer tem uma reunião ao fim da tarde com o grupo parlamentar trabalhista, que pode ditar o futuro do político se 80 dos deputados apoiarem a realização de uma eleição interna.
A líder da oposição conservadora britânica, Kemi Badenoch, afirmou que a posição do primeiro-ministro britânico é insustentável.
Keir Starmer, eleito há 19 meses, está sob pressão depois de ter admitido que aprovou a nomeação de Peter Mandelson como embaixador britânico nos Estados Unidos, apesar de saber que o Mandelson manteve contacto com o pedófilo norte-americano Jefrey Epstein, depois de este ter sido condenado em 2008 por aliciar uma rapariga de 14 anos para ter relações sexuais.
Peter Mandelson foi demitido do cargo de embaixador em setembro de 2025, após a publicação de documentos que detalhavam a extensão dos laços que manteve com Epstein, que morreu na prisão em 2019, em Nova Iorque, nos EUA.
Documentos recentemente divulgados reacenderam a controvérsia, além de terem acrescentado a suspeita de que Mandelson terá passado informações confidenciais a Epstein quando era ministro do antigo primeiro-ministro britânico Gordon Brown.
Entretanto, o diretor de comunicação do primeiro-ministro Tim Allan anunciou a demissão, acentuando a crise em Downing Street, um dia depois da demissão do chefe de gabinete de Starmer Morgan McSweeney.
"A nomeação de Peter Mandelson foi um erro. (...) Quando consultado, aconselhei o primeiro-ministro a avançar com a nomeação e assumo total responsabilidade por este conselho", escreveu o chefe de gabinete Morgan McSweeney em comunicado, no domingo.
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