Líder do Japão acusa China de querer mudar o status quo "pela força ou coação"
- 20/02/2026
Pequim "está a intensificar as suas tentativas de alterar unilateralmente o status quo através da força ou da coerção no mar do Leste da China e no mar do Sul da China, ao mesmo tempo que expande e reforça as suas atividades militares nas áreas que rodeiam o nosso país", disse a líder ultraconservadora, no parlamento.
Fazendo eco do seu antecessor, Shigeru Ishiba, Takaichi afirmou ainda que o Japão enfrenta "o ambiente de segurança mais sério e complexo" desde a Segunda Guerra Mundial, citando não só a China, mas também a Rússia e a Coreia do Norte.
Depois de Takaichi se ter tornado a primeira mulher a liderar o Governo do Japão, em outubro, Tóquio tem registado um aumento acentuado das tensões diplomáticas com Pequim.
Em novembro, Takaichi sugeriu que o Japão poderia intervir militarmente em caso de ataque a Taiwan, ilha cuja soberania Pequim reivindica e que não descarta retomar pela força.
As declarações provocaram imediatamente a ira da China, que retaliou aconselhando os cidadãos a não viajarem para o Japão, reforçando os controlos comerciais e realizando exercícios aéreos conjuntos com a Rússia.
"A política consistente do nosso governo é promover uma relação mutuamente benéfica com a China, baseada em interesses estratégicos partilhados, e construir uma relação construtiva e estável", afirmou hoje Takaichi.
"Dado o importante papel da China como vizinha e as muitas questões e desafios pendentes, continuaremos o nosso diálogo e responderemos com calma e ponderação, de acordo com os nossos interesses nacionais", acrescentou.
No entanto, Takaichi indicou que pretende rever os três principais documentos da política de defesa do Japão este ano, porque "as mudanças no ambiente de segurança, como o surgimento de novas formas de guerra e a necessidade de se preparar para conflitos prolongados, estão a acelerar em muitas áreas".
A primeira-ministra acrescentou que espera agilizar as discussões para um maior relaxamento do embargo japonês à exportação de armas letais.
"Isto ajudará a fortalecer as capacidades de dissuasão e de resposta dos nossos aliados e parceiros com ideias semelhantes, ao mesmo tempo que consolidará a base de produção de defesa do Japão e a sua base de tecnologias civis", argumentou.
Takaichi já tinha anunciado no Outono que desejava acelerar o aumento das despesas militares do país, para que atingissem a meta de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional dois anos antes do previsto.
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