Libertada luso-venezuelana condenada a 20 anos (cinco foram cumpridos)
- 25/01/2026
A luso-venezuelana Carla da Silva, condenada a 21 anos de prisão na Venezuela, foi libertada este domingo, anunciou esta noite o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português.
Em comunicado, o MNE refere que "está a acompanhar o caso e em contacto com a família".
Ainda segundo a tutela, Carla da Silva, "que acaba de ser libertada", cumpriu "até agora, cinco anos, oito meses e 20 dias de prisão."
Ao Notícias ao Minuto, o MNE explica ainda que Carla Rosaura Da Silva Marrero estava presa desde 5 de maio de 2020, "e condenada a cumprir 21 anos de prisão pelos crimes de Conspiração e Associação Para Cometer Crimes, pelo caso Gedeón (Tentativa de golpe de Estado e Assasinato de Nicolás Maduro)."
"Estava presa no Instituto Nacional de Orientação Femenina (INOF) desde 27 de setembro do ano passado, depois de ser transferida desde o SEBIN [Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional]", acrescenta o MNE.
Quem é Carla da Silva?
Carla da Silva tinha sido condenada por um tribunal de Caracas em 23 de maio de 2024, juntamente com outras 28 pessoas, militares e civis, por conspirarem para derrubar o governo da Venezuela.
A sentença foi conhecida após uma audiência de mais de 15 horas de duração, em que foram acusados de traição, conspiração, rebelião, tráfico de armas de guerra, associação para cometer crimes e financiamento de terrorismo.
Vinte dos acusados foram condenados a 30 anos de prisão e outros nove, entre eles Carla da Silva, a 21 anos de prisão, por terem alegadamente participado, em 3 de maio de 2020, na Operação Gedeón, também conhecida como Macutazo.
Esta falhada incursão marítima de ex-militares no exílio tentou, com o apoio de um antigo membro das forças especiais dos EUA, infiltrar-se no país e treinar venezuelanos para derrocar o governo do presidente Nicolás Maduro, numa operação durante a qual morreram seis dissidentes.
Em outubro de 2023, a organização não-governamental (ONG) venezuelana Foro Penal (FP) pediu às autoridades que libertassem Carla da Silva, então presa preventivamente há mais de três anos.
"Carla da Silva é uma das presas políticas na Venezuela. Foi detida arbitrariamente em 5 de maio de 2020, e encontra-se em El Helicoide [prisão em Caracas], lugar do qual tanto se conhece porque vários presos políticos estão aí [...]. Em conformidade com a nossa lei, deveria estar em liberdade, porque ninguém pode estar mais de três anos privado da liberdade preventivamente", explicou na altura o diretor do Foro Penal, Alfredo Romero.
[Notícia atualizada às 22h59]














