Líbano dá 4 meses ao seu exército para continuar desarmamento do Hezbollah
- 16/02/2026
O governo libanês comprometeu-se a desarmar o poderoso Hezbollah pró iraniano, enfraquecido em novembro de 2024 depois de uma guerra com Israel.
O exército tinha indicado em janeiro que tinha concluído a primeira fase deste plano, que abrangia a região situada entre a fronteira israelita e o rio Litani, cerca de trinta quilómetros mais a norte. A segunda fase abrange uma zona localizada a norte do rio.
"Está previsto um calendário de quatro meses, prorrogável em função das capacidades disponíveis, dos ataques israelitas e dos obstáculos no terreno", afirmou o ministro libanês da Comunicação, Paul Morcos, numa conferência de imprensa, após um briefing do comando do exército ao governo.
O Hezbollah recusa entregar as suas armas a norte do Litani, região envolvida na segunda fase. As tropas israelitas continuam, por sua vez, a ocupar cinco pontos estratégicos em território libanês, apesar do cessar-fogo que prevê a sua retirada.
Israel acusa o Hezbollah de se rearmar, considera os progressos do exército libanês insuficientes e bombardeia regularmente o sul do país.
Antes da reunião de hoje do governo libanês, o chefe do Hezbollah, Naim Qassem, declarou que "o que o governo libanês está a fazer ao concentrar-se no desarmamento é um pecado grave, porque esta questão serve os objetivos da agressão israelita". "Cessem toda a ação que vise restringir as armas", afirmou numa intervenção televisiva, dizendo que as "concessões sucessivas" do governo eram, em parte, responsáveis pelos ataques persistentes de Israel.
Em visita hoje a Beirute, o presidente alemão Frank-Walter Steinmeier tinha apelado antes às autoridades libanesas para continuarem o desarmamento do Hezbollah para se alcançar a retirada de Israel dos territórios que ainda ocupa no Líbano. "O Líbano deve, e sabemos quão difícil é, assegurar o desarmamento do Hezbollah de acordo com o acordo de cessar-fogo, para que também sejam criadas as condições para uma retirada [das tropas israelitas]", afirmou o chefe de Estado alemão.
"Ambas as partes devem cumprir os seus compromissos (...) o desarmamento do Hezbollah no Líbano deve continuar", acrescentou numa conferência de imprensa com o seu homólogo libanês, Joseph Aoun, no final do encontro entre ambos.
Por seu lado, o presidente libanês indicou ter apelado à Alemanha para "pedir à parte israelita que respeite o acordo de cessar-fogo e se retire dos territórios que ocupa", acrescentando que solicitou a Berlim "ajuda ao exército libanês", que carece de fundos e equipamentos, e para "desempenhar um papel essencial" após a retirada dos Capacetes Azuis do Líbano.
O mandato da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul) expira no final do ano.
A Alemanha assume o comando da força naval desta força desde 2021.
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