Liam, 5 anos, "não é o mesmo" desde detenção do ICE: "Tem pesadelos"
- 06/02/2026
Adrián Conejo Arias, o pai do menino de cinco anos detido pelo Serviço de Imigração e Alfândegas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), em Minneapolis, no estado norte-americano do Minnesota, contou que o filho "nunca mais foi o mesmo" e que tem tido pesadelos desde a detenção.
O pai e o menino foram detidos a 20 de janeiro e regressaram a casa no passado domingo, 1 de fevereiro, após um juiz norte-americano ter ordenado libertação de um centro de detenção no Texas, para onde foram levados.
Em entrevista ao Telemundo, Adrián comentou que o que passaram "não foi nada fácil" e que o menino, Liam, "ainda está assustado e com medo de tudo o que aconteceu".
"O meu filho não é o mesmo desde que tudo aconteceu. Ele está muito assustado. À noite, ele acorda várias vezes a chorar e a pedir ajuda... Ele tem pesadelos", contou.
Liam "lembra-se do momento" em que foi levado pelos agentes do ICE e teme que seja novamente detido na nova casa para onde a família se mudou.
Segundo Adrián, "toda a família está muito assustada" com toda a situação. "Estamos escondidos. Ninguém sabe ao certo onde estamos. Temos medo de sair às ruas e que isso [a detenção] aconteça outra vez".
Já a mulher, Erika Ramos, que está grávida, tem vivo com "muitas preocupações" e já teve de "ir ao hospital" devido a complicações na gravidez.
A mãe, sublinhe-se, já tinha dado uma entrevista ao mesmo meio de comunicação, onde contou a "verdadeira versão do que aconteceu", após as autoridades norte-americanas terem alegado que Adrián tinha fugido e deixado o filho sozinho e que ela se tinha recusado a cuidar da criança.
"Às 14h20, o meu marido, Adrián, voltava da escola depois de ir buscar nosso filho. Ao estacionar o carro em frente de casa, agentes do ICE aproximaram-se e detiveram o meu marido. Eles prenderam-no e o algemaram-mo", recordou, na semana passada.
Segundo a própria, os agentes viram-na e decidiram tirar a criança do carro, usando-a como isco para que a mulher e entregasse.
"Trouxeram-no até à porta da minha casa para que eu abrisse. Bateram, e o meu filho Liam repetia: 'Mamã, abre a porta'. Eu estava apavorada. O meu marido gritava: 'Não abras a porta', e eu não abri porque tinha medo de que me prendessem também e deixassem o meu outro filho sozinho. Como não abri a porta, levaram o Liam", explicou.
"Parecia tudo uma tentativa deliberada de me provocar, como se quisessem que eu saísse a correr desesperadamente atrás do meu filho para que pudessem deter-me também. Noutras palavras, usaram o meu filho como isco. Mesmo assim, o meu marido insistiu muito para que eu não saísse, principalmente porque temos outro filho e estou grávida", acrescentou.
Também os vizinhos e funcionários da escola disseram que os agentes federais utilizaram a criança como 'isco', dizendo-lhe para bater à porta de casa para que a mãe saísse. No entanto, o Departamento de Segurança Interna contestou esta versão.
A detenção da criança gerou indignação quando começaram a circular imagens de agentes da imigração a rodear a criança, que usava um gorro de coelho azul e uma mochila do Homem-Aranha.
A secretária adjunta da Segurança Interna, Tricia McLaughlin, garantiu que o ICE não tinha como alvo o menino, nem que o deteve, e reiterou que a mãe se recusou a ficar com ele após a detenção do pai. O pai disse aos agentes que queria que Liam ficasse com ele, acrescentou a responsável.
No mês passado, McLaughlin tinha referido que a criança foi abandonada e que os agentes tentaram convencer a mãe a ficar com a guarda.















