Leiria desafia E-Redes a ir às freguesias prestar esclarecimentos
- 12/02/2026
"Solicitamos à E-Redes informação detalhada sobre o ponto de situação dos trabalhos e desafiamos a empresa a deslocar-se às freguesias mais afetadas para prestar esclarecimentos diretos às populações", lê-se num comunicado subscrito pelo município e juntas.
No comunicado conjunto, pede-se ainda "a apresentação urgente de um calendário concreto, freguesia a freguesia, para a reposição total do serviço", e é reiterado "o pedido de mobilização de meios técnicos adicionais para acelerar as intervenções nas zonas ainda afetadas".
Os subscritores reclamaram ao Governo para acionar "os mecanismos necessários para garantir o reforço de meios técnicos e operacionais", assegurando uma resposta proporcional à dimensão dos danos", e à E-Redes, principal operadora da rede de distribuição de energia elétrica em Portugal Continental das redes de alta, média e baixa tensão, renovaram o pedido para que defina rapidamente "medidas de compensação pelos prejuízos causados".
"Impõe-se ainda que a E-Redes apresente explicações sobre situações em que subsistem clientes sem fornecimento elétrico, apesar de existirem habitações vizinhas já com energia restabelecida, bem como esclareça os critérios que justificam que alguns concelhos e freguesias apresentem níveis de reposição significativamente inferiores a outras", defenderam.
Através do documento, exigiram ainda "o reforço imediato das equipas SOS para reposição de ligações em situações isoladas", depois de lembrarem que, desde que a depressão Kristin atingiu o concelho, em 28 de janeiro, "continuam a existir falhas no fornecimento de eletricidade em todas as freguesias", situação que "tem provocado dificuldades graves às populações".
Reconhecendo o empenho dos trabalhadores em "intervenções exigentes e tecnicamente complexas", as autarquias notaram, todavia, ser "evidente que os meios atualmente mobilizados são insuficientes face à dimensão dos danos".
"Os presidentes de junta estão diariamente no terreno, a ouvir a revolta legítima das populações", relataram.
O município garantiu que vai manter "toda a pressão institucional necessária até que o fornecimento seja plenamente restabelecido".
No sábado, numa carta aberta, a Câmara e as freguesias de Leiria criticaram "a falta de informação objetiva, atualizada e acessível" da E-Redes, sustentando que "as populações têm o direito de saber qual o ponto de situação concreto em cada freguesia" ou que "prazos previsíveis estão a ser considerados para a reposição do serviço".
No dia seguinte, fonte oficial da E-Redes disse que a empresa iria remeter às Câmaras o número de clientes sem energia na sequência do mau tempo, mas que os órgãos de comunicação social estavam excluídos desta informação.
A E-Redes anunciou que às 08h00 de hoje na zona mais crítica da depressão Kristin "estavam cerca de 25 mil clientes sem energia".
"No total, do território continental, devido às condições meteorológicas adversas, havia 33 mil clientes sem energia", adiantou a operadora, garantindo que mantém "todos os esforços para ultrapassar esta situação, com cerca de 2.400 pessoas envolvidas nesta recuperação".
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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