Keir Starmer visita China e Japão (já) esta semana
- 26/01/2026
"Ele vai partir na terça-feira à noite para a sua viagem à China e ao Japão", disse o porta-voz, sem dar mais detalhes.
O anúncio surge poucos dias depois de o Governo trabalhista de Keir Starmer ter aprovado o controverso projeto de construção de uma "mega embaixada" chinesa no centro de Londres, apesar das críticas da oposição.
A visita ocorre numa altura em que a China procura posicionar-se como um parceiro fiável e defensor da ordem internacional, em contraste com as ações imprevisíveis e agressivas do Presidente norte-americano, Donald Trump, face aos aliados tradicionais, incluindo o Reino Unido.
Antes de Starmer, o Presidente chinês, Xi Jinping, recebeu nas últimas semanas o homólogo francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney.
Desde que assumiu funções em julho de 2024, Keir Starmer tem procurado reativar as relações com a potência asiática, sobretudo para explorar oportunidades que impulsionem uma economia britânica anémica.
A ministra das Finanças, Rachel Reeves, visitou a China há um ano.
De acordo com a estação britânica Sky News, a comitiva do chefe do Governo britânico deverá incluir líderes de empresas como o banco HSBC, a construtora automóvel Rolls-Royce, a petrolífera BP ou a farmacêutica AstraZeneca.
Após uma chamada "era dourada" comercial promovida pelo então primeiro-ministro britânico conservador David Cameron nos anos 2010, as relações bilaterais com Pequim azedaram devido às críticas britânicas à repressão em Hong Kong, às violações de direitos humanos contra a minoria muçulmana uigur em Xinjiang e às acusações de espionagem.
Além da agenda económica bilateral, Starmer estará sob pressão para abordar com Xi Jinping questões como o caso do ativista Jimmy Lai, condenado em dezembro por sedição, e o apoio chinês ao Presidente russo, Vladimir Putin, na guerra na Ucrânia.
Tahlia Peterson, analista do centro de estudos britânico Chatham House, considera que é do interesse manter "um certo nível de comércio aberto com a China" e evitar uma dissociação total da China em áreas como o processamento de terras raras e energias renováveis.
"Mas o Reino Unido deve adotar uma abordagem de segurança económica mais de longo prazo para se preparar para o risco de que a China continue a usar as suas relações económicas como arma", avisou, num texto publicado na semana passada.
Após Pequim, Starmer segue no sábado para o Japão, onde irá reunir-se com a primeira-ministra Sanae Takaichi, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros nipónico.
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