Justiça francesa pede acusação por homicídio após ataque político

  • 19/02/2026

O caso de Quentin Deranque, de 23 anos, que morreu no sábado em consequência de um grave traumatismo craniano, está a ganhar dimensão internacional, com acesas trocas de acusações entre França e Itália.

 

Dois dias antes, durante um "confronto violento" entre "membros da esquerda radical e da extrema-direita", segundo uma fonte próxima da investigação, o jovem viu-se isolado e foi atirado para o chão e pontapeado, sobretudo na cabeça, por "pelo menos seis indivíduos", usando máscaras e balaclavas.

Numa conferência de imprensa, o procurador de Lyon Thierry Dran precisou ter requerido a prisão preventiva de sete suspeitos, invocando o "risco de perturbação da ordem pública".

Estes últimos "contestam a intenção de cometer homicídio", segundo o procurador, embora "alguns admitam ter agredido" Quentin Deranque "ou outras vítimas".

O jovem militante de extrema-direita foi atacado a 12 de fevereiro por vários indivíduos encapuzados, à margem de uma conferência da eurodeputada Rima Hassan, do partido da esquerda radical França Insubmissa (LFI, na sigla em francês), na Faculdade de Ciência Política da cidade (Sciences Po Lyon).

Deranque tinha comparecido para garantir a segurança dos militantes do grupo de extrema-direita Némesis, que se manifestavam contra a visita da eurodeputada.

Das 11 pessoas detidas no âmbito deste caso, três homens e uma mulher suspeitos de ter ajudado os restantes a esconder-se foram já libertados, indicou o procurador, acrescentando que "identificar os presentes no local foi difícil e, até hoje, várias pessoas continuam por identificar".

A maioria está ligada a movimentos de esquerda radical, e entre eles encontram-se três figuras próximas do deputado de esquerda radical Raphael Arnault, fundador do grupúsculo La Jeune Garde Antifasiste (A Jovem Guarda Antifascista), dissolvido por decreto em junho de 2025 por "atos de violência".

O Presidente francês, Emmanuel Macron, pediu à primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni (extrema-direita), que pare de "comentar o que se passa nos outros países", depois de esta ter classificado na rede social X a morte de Deranque como "uma ferida para toda a Europa".

O gabinete da primeira-ministra italiana reagiu já às declarações de Macron, feitas a partir de Nova Deli, assegurando que as palavras de Meloni se destinavam simplesmente a expressar "um sinal de solidariedade com o povo francês afetado por esse horrível acontecimento".

O caso incendiou a cena política francesa, em plena campanha para as eleições autárquicas de março, pressionando em particular o partido LFI, uma vez que três dos suspeitos pertencem ao círculo próximo do deputado do LFI Raphael Arnault.

Arnault é o fundador do grupo de esquerda radical La Jeune Garde, que está no centro das suspeitas da investigação e atualmente em processo de dissolução, devido a precedentes acusações de violência.

Leia Também: Autoridades francesas pedem a vítimas de Epstein que se apresentem

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2942194/justica-francesa-pede-acusacao-por-homicidio-apos-ataque-politico#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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