Juros das obrigações japonesas disparam para níveis recorde
- 20/01/2026
Os rendimentos das obrigações soberanas japonesas a 30 anos subiram para um nível sem precedentes de 3,66%, e os das obrigações a 40 anos atingiram pela primeira vez a marca dos 4%.
As taxas das obrigações com vencimento a 10 anos também subiram, atingindo um novo máximo desde 1997, com mais de 2,32%.
Este aumento das taxas reflete vendas massivas de títulos e ilustra uma maior desconfiança por parte dos investidores, com o rendimento a evoluir na direção oposta à procura, uma vez que são necessários rendimentos mais lucrativos para convencer compradores que se tornaram mais exigentes e cautelosos.
Este arrefecimento do mercado obrigacionista surge após uma conferência de imprensa de Sanae Takaichi na segunda-feira, durante a qual anunciou a intenção de dissolver a câmara baixa do Parlamento e convocar eleições legislativas antecipadas a 08 de fevereiro.
Takaichi, cuja política de recuperação com aumento das despesas orçamentais já coloca a dívida japonesa sob pressão desde outubro, indicou, no entanto, que pretende prosseguir uma política orçamental acomodatícia.
Acima de tudo, a líder ultranacionalista prometeu eliminar o imposto sobre as vendas de produtos alimentares durante dois anos, uma medida central nas promessas eleitorais do Partido Liberal Democrata (PLD, no poder há décadas). A oposição também reclama essa redução fiscal.
Dada a grande popularidade de Takaichi, a votação poderá reforçar a maioria parlamentar da coligação governamental, atualmente muito restrita, e consolidar o programa de despesas "proativas" para relançar a atividade.
"Com os partidos no poder e na oposição a defenderem a redução do imposto sobre o consumo, o mercado obrigacionista perde a esperança quanto à disciplina orçamental, e os rendimentos poderão continuar a subir", comentou Ryutaro Kimura, estratega sénior da AXA Investment Managers, citado pela Bloomberg.
É certo que "Takaichi indicou que queria garantir que estas reduções fiscais pudessem ser implementadas sem recorrer à emissão de obrigações adicionais", mas "a redução do imposto sobre os alimentos representará potencialmente uma perda de receitas de cerca de 5 biliões de ienes por ano (27 mil milhões de euros)", concorda Michael Wan, do banco MUFG, citado pela agência EFE.
Isso alimenta as preocupações do mercado, já arrefecido pelo colossal plano de recuperação de 117 mil milhões de euros adotado no final de 2025 e pela perspetiva de um novo orçamento recorde (equivalente a 665 mil milhões de euros) para o exercício de 2026.
Este conjunto de circunstâncias está a alimentar as preocupações do mercado, já arrefecido pelo plano colossal de recuperação de 117 mil milhões de euros, adotado no final de 2025, e pela perspetiva de um novo orçamento recorde (equivalente a 665 mil milhões de euros) para o exercício de 2026, assim como ameaça fazer aumentar ainda mais a já enorme dívida do país, que deverá ultrapassar 230% do PIB no exercício de 2025.
"A boa notícia é que Takaichi leva publicamente em consideração a reação dos mercados, e as preocupações orçamentais podem diminuir com o tempo, à medida que a incerteza relacionada com as eleições se dissipa", ameniza Wan.
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