Japão regista recorde de visitantes apesar de queda de turistas chineses
- 20/01/2026
O país registou 42,7 milhões de chegadas de visitantes em 2025, superando o recorde anterior de 36,8 milhões alcançado em 2024. O enfraquecimento do iene contribui para reforçar a atratividade do arquipélago aos olhos dos turistas internacionais.
No entanto, o número de turistas chineses caiu 45% em dezembro em relação ao ano anterior: apenas 330.000 visitaram o Japão no mês passado.
As relações entre as duas potências vizinhas deterioraram-se desde que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sugeriu em novembro perante o Parlamento japonês que Tóquio poderia intervir militarmente se a China lançasse um ataque contra Taiwan.
As declarações suscitaram fortes protestos de Pequim, que uma semana depois desaconselhou os seus cidadãos a viajar para o Japão devido a "riscos significativos" para a sua segurança.
A recomendação de Pequim fez acionar os alertas no setor do turismo do Japão, uma vez que a China é a principal fonte de turistas estrangeiros, responsável por cerca de 7,5 milhões de visitantes nos primeiros nove meses do ano, de acordo com números oficiais, um aumento de 42% em relação ao ano anterior e um quarto do total de turistas estrangeiros.
Atraídos por um iene fraco, os visitantes estrangeiros gastaram o equivalente a 3,3 mil milhões de euros no terceiro trimestre.
O número total de visitantes sugere que o Japão retomou a dinâmica que vinha a demonstrar antes da pandemia da Covid, quando o número de visitantes estrangeiros quintuplicou entre 2012 e 2020.
Além da atratividade do Japão pela cultura, gastronomia e paisagens, incluindo o Monte Fuji, esta afluência também se explica pelo enfraquecimento do iene, que caiu face ao dólar nos últimos três anos, tornando o destino mais barato.
O Governo japonês estabeleceu uma meta ambiciosa: atingir 60 milhões de turistas estrangeiros por ano até 2030, correndo o risco de alimentar o "excesso de turismo" nos locais mais visitados do arquipélago e de acicatar as críticas dos residentes, nomeadamente na antiga capital imperial, Quioto, que aumentou desde 01 de janeiro a taxa de estadia para tentar conter o fenómeno do turismo massificado.
O arquipélago, com os 124 milhões de habitantes, continua, no entanto, a receber muito menos turistas do que o primeiro destino mundial, a França, que conta com 68 milhões de habitantes e recebeu cerca de 100 milhões de visitantes em 2023 e 2024.
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