Japão extrai com sucesso terras raras em missão em águas profundas no Pacífico
- 02/02/2026
"A Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha-Terrestre (JAMSTEC), sob a jurisdição do Ministério da Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia, recuperou com sucesso lama rica em terras raras a uma profundidade de seis mil metros, utilizando o navio de investigação Chikyu", escreveu o ministro Yohei Matsumoto, na rede social X, no domingo.
Matsumoto afirmou que a JAMSTEC divulgará mais detalhes sobre a operação em comunicado na terça-feira.
O Chikyu iniciou em 12 de janeiro uma missão inédita com o objetivo de extrair terras raras das águas profundas junto a Minami Torishima, uma ilha desabitada, visando reduzir a dependência económica do país face à China.
A missão do navio de perfuração científica em águas profundas deverá durar até 14 de fevereiro.
O teste ocorre num momento em que a China, de longe o maior fornecedor mundial de terras raras, aumenta a pressão sobre o país vizinho.
A viagem do Chikyu pode levar à produção nacional de terras raras, afirmou em 12 de janeiro o diretor de programas do gabinete do primeiro-ministro japonês, Shoichi Ishii.
"Estamos a considerar diversificar as nossas fontes de abastecimento e evitar uma dependência excessiva de determinados países", afirmou aos jornalistas.
Estima-se que a zona em torno de Minami Torishima contenha mais de 16 milhões de toneladas de terras raras, o que a tornaria, segundo o jornal económico Nikkei, a terceira maior jazida do mundo.
As "terras raras", 17 elementos metálicos não particularmente raros, mas difíceis e caros de extrair, são essenciais para setores inteiros da economia -- automóvel, energias renováveis, digital, defesa --, servindo para a fabricação de ímanes potentes, catalisadores e componentes eletrónicos.
A China representa quase dois terços da produção mineira mundial de terras raras e 92% da produção refinada, de acordo com a Agência Internacional de Energia.
O país usa há muito tempo como alavanca geopolítica o seu domínio na área, inclusive na guerra comercial com os Estados Unidos.
O Japão depende da China para 70% das importações de terras raras, apesar de ter-se esforçado para diversificar as fontes de abastecimento desde um conflito anterior em 2010, durante o qual Pequim suspendeu as exportações por vários meses.
Tóquio e Pequim atravessam uma crise diplomática, desencadeada por declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que admitiu uma reação militar em caso de um ataque chinês a Taiwan, cuja soberania é reivindicada por Pequim.
Sinal do agravamento das tensões bilaterais, Pequim anunciou no início de janeiro que iria reforçar os controlos sobre a exportação para o Japão de bens chineses de dupla utilização civil e militar, o que pode incluir os metais raros.
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