Israel rompe de imediato relações com sete entidades da ONU
- 13/01/2026
"Depois de examinar e discutir a saída dos Estados Unidos de dezenas de organizações internacionais, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Gideon Saar, decidiu que Israel cortará imediatamente todos os contactos com as seguintes agências da ONU e organizações internacionais", afirmou a diplomacia israelita num comunicado que detalha as sete entidades.
Além da ONU Mulheres e da Aliança das Civilizações, Israel vai também romper relações com o gabinete do representante especial do secretário-geral da ONU para as Crianças e os Conflitos Armados.
Israel foi incluído em 2024 na lista de países que violam gravemente os direitos das crianças nos conflitos armados.
"É o único país democrático da lista, juntamente com o Estado Islâmico e o Boko Haram", lamentou o comunicado da diplomacia israelita, que refere que já tinha cortado contacto com o gabinete da ONU no ano passado.
As relações entre Israel e a ONU degradaram-se desde o início da guerra na Faixa de Gaza, no seguimento dos ataques liderados pelo grupo islamita palestiniano Hamas em 07 de outubro de 2023 em território israelita, que resultaram em cerca de 1.200 mortos e 251 reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma ofensiva em grande escala no enclave palestiniano, que, segundo as autoridades locais controladas pela ONU, provocaram acima de 70 mil mortos, um desastre humanitário e a deslocação da quase totalidade da população.
Antes de um cessar-fogo, em vigor desde 10 de outubro do ano passado, grupos de especialistas da ONU declaram situação de fome e um genocídio em curso na Faixa de Gaza, que esteve durante um largo período sujeita a um bloqueio total por parte das forças israelitas.
Em relação à ONU Mulheres --- que Israel acusa de ter ignorado alegados casos de violência sexual ocorridos durante os ataques do Hamas em outubro de 2023 ---, o Ministério dos Negócios Estrangeiros sublinhou que a ex-chefe do gabinete local já tinha concluído o seu mandato a pedido de Telavive e que o acordo de cooperação com a organização foi cancelado em julho de 2024.
Na lista constam ainda a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e a Comissão Económica e Social das Nações Unidas para a Ásia Ocidental, que a diplomacia israelita acusa de publicar "relatórios anti-Israel severos todos os anos".
As autoridades israelitas anunciaram também que se separam da Aliança das Civilizações das Nações Unidas (cujo primeiro alto-representante foi o ex-presidente português Jorge Sampaio), que classifica como uma "plataforma de ataques contra Israel"
A lista integra ainda a ONU Energia, uma organização descrita como um reflexo da "burocracia excessiva e ineficiência da ONU", e o Fórum Global sobre Migração e Desenvolvimento, que, segundo Israel, "mina a capacidade dos países soberanos de fazerem cumprir as suas próprias leis de imigração".
O Ministério dos Negócios Estrangeiros advertiu que outras organizações internacionais estarão sujeitas a análise em profundidade e que medidas semelhantes serão tomadas em breve.
O Knesset (parlamento israelita) já tinha aprovado, em 30 de dezembro, uma emenda à lei de 2024 que declarava a agência das Nações Unidas de assistência aos refugiados da Palestina (UNRWA) ilegal em Israel.
Numa decisão sem precedentes que contraria o direito internacional, a alteração retirou a imunidade à agência e ordenou a expropriação das suas instalações e a apreensão dos seus bens em Jerusalém Oriental.
Três semanas antes, a polícia israelita, acompanhada por funcionários municipais, invadiu à força a sede das Nações Unidas em Jerusalém Oriental e substituiu a bandeira da ONU por uma bandeira de Israel.
Além disso, a nova lei, que incorporava três alterações anteriores, proíbe expressamente a prestação de serviços de telecomunicações à UNRWA, aplicando um regime semelhante a outros bens básicos, além de lhe bloquear os serviços financeiros.
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