Israel proíbe operações da Oxfam em Gaza a partir do fim do mês
- 16/02/2026
O Governo israelita declarou no dia 01 de janeiro que 37 organizações não-governamentais (ONG) que não se tinham registado até ao final de 2025 (incluindo a Oxfam) deveriam encerrar as suas operações tanto no enclave palestiniano como na Cisjordânia ocupada no prazo de 60 dias, ou seja, até 01 de março.
Além da Oxfam, uma confederação que reúne 21 ONG independentes, a proibição israelita afeta outras grandes organizações internacionais como os Médicos Sem Fronteiras (MSF), a CARE, o Conselho Norueguês para os Refugiados ou a World Vision International.
O novo sistema, introduzido em março de 2025 pelo Ministério da Diáspora de Israel, inclui critérios controversos para justificar a negação do registo, desde logo a apresentação de uma lista de funcionários palestinianos, o que várias organizações se recusaram a cumprir, justificando que iriam colocar os seus colaboradores em risco.
Os critérios contemplam também o reconhecimento de Israel como um Estado judaico e democrático e a promoção de "campanhas para deslegitimar" o país.
Além de anunciar o fim das atividades da Oxfam, o ministério israelita juntou ao seu comunicado declarações da ex-diretora executiva da ONG Halima Begum, no passado dia 13 em entrevista ao canal televisivo britânico Channel 4 News.
A antiga responsável, que anunciou uma ação legal contra a Oxfam, acusou a organização de racismo, sexismo e "cultura antissemita tóxica", além de pressões para usar o termo genocídio sem base factual e ainda de se colocar a situação na Faixa de Gaza em desproporção face a outras crises humanitárias.
Estas declarações públicas "refletem a narrativa e a intensidade do antissemitismo dentro da Oxfam", declarou Amichai Chickli, ministro dos Assuntos da Diáspora e do Combate ao Antissemitismo, citado no comunicado.
Israel manteve um bloqueio quase total à Faixa de Gaza nos meses que antecederam o cessar-fogo com o grupo islamita palestiniano Hamas, em vigor desde 10 de outubro passado e que prevê o reforço do acesso da ajuda humanitária ao território, onde painéis de peritos da ONU tinham declarado previamente uma situação de fome e genocídio em curso.
A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 72 mil mortos, segundo as autoridades locais, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.
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