Israel anuncia "reabertura limitada" do posto fronteiriço de Rafah
- 26/01/2026
"No quadro do plano de 20 pontos do presidente [norte-americano Donald] Trump, Israel aceitou a reabertura limitada da passagem fronteiriça de Rafah, reservada a peões e sujeita a um mecanismo de inspeção israelita completo", anunciou o gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, numa publicação partilhada no domingo na rede social X.
O posto fronteiriço de Rafah é um ponto de entrada essencial de ajuda humanitária na Faixa de Gaza. A sua reabertura é reclamada há muito pelas Nações Unidas e pela comunidade humanitária.
No entanto, desde a entrada em vigor do cessar-fogo em Gaza, em 10 de outubro, as autoridades israelitas ainda não o tinham autorizado, alegando que movimento o islamita palestiniano Hamas não entregou o corpo do último refém israelita retido em Gaza, o polícia Ran Gvili, bem como a necessidade de coordenação com o Egito.
Juntamente com a libertação dos 20 reféns vivos de Gaza, que ocorreu com a entrada em vigor do cessar-fogo em outubro, a devolução dos 28 mortos é um dos compromissos que o Hamas tem de cumprir na primeira fase do acordo de trégua promovido pelos Estados Unidos.
Desde a sua entrada em vigor, em 10 de outubro, os islamistas têm vindo a entregar os restos mortais dos reféns de forma gradual, devido, segundo têm vindo a indicar, aos problemas que têm enfrentado para os encontrar entre toneladas de escombros causados pelos bombardeamentos israelitas.
O corpo de Ran Gvili, sequestrado durante os ataques do Hamas em 07 de outubro de 2023, é o último que resta no enclave palestino.
Entretanto, o Exército de Israel iniciou no fim de semana uma operação em grande escala no norte da Faixa de Gaza para localizar o corpo de Ran Gvili, anunciou o governo israelita, num comunicado citado pela Agência France Presse.
A operação, segundo é detalhado na nota, decorre num cemitério no norte da Faixa de Gaza, onde as tropas estão a realizar "extensas operações de busca, enquanto esgotam todas as informações de inteligência disponíveis".
Este esforço "continuará enquanto for necessário", lê-se ainda no comunicado.
O Hamas, por sua vez, insistiu, também num comunicado, que forneceu aos mediadores --- Egito, Qatar, Turquia e Estados Unidos --- todas as informações que estão em seu poder sobre a localização dos restos mortais de Ran Gvili.
"O que confirma a veracidade da nossa declaração é que o inimigo está a realizar operações de busca num local específico, com base nas informações precisas fornecidas pelas brigadas Al Qasam aos mediadores", referiu o Hamas.
No domingo, a imprensa israelita noticiou que os enviados do presidente norte-americano Donald Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff, instaram Netanyahu a reabrir Rafah sem esperar pela devolução dos restos mortais de Ran Gvili.
Já a família do refém apelou às autoridades israelitas para que não passassem à segunda fase do cessar-fogo sem a devolução do corpo.
Kushner e Witkoff chegaram no domingo a Israel para discutir o futuro da Faixa de Gaza.
O Presidente norte-americano revelou na semana passada, no Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça, o seu projeto para uma "Nova Gaza", que deverá transformar o território palestiniano devastado num luxuoso complexo de arranha-céus à beira-mar.
A segunda fase do plano de cessar-fogo prevê o desarmamento do Hamas, a retirada progressiva do exército israelita da Faixa de Gaza, da qual ainda controla cerca de metade do território, e o envio de uma força internacional.
Embora a trégua tenha posto fim aos bombardeamentos israelitas em Gaza, que enfrenta uma grave crise humanitária, as duas partes acusam-se diariamente de violação dos termos do acordo.
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