Iraque pede repatriamento de membros europeus do grupo Estado Islâmico
- 23/01/2026
O apelo foi feito durante uma conversa telefónica com o Presidente francês, Emmanuel Macron, disse o gabinete de Sudani num comunicado citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Os Estados Unidos iniciaram esta semana a transferência de 7.000 prisioneiros do EI, também conhecido pelo acrónimo árabe Daesh, da Síria para o vizinho Iraque.
Entre os primeiros 150 detidos encontravam-se europeus, disseram dois responsáveis de segurança iraquianos à AFP.
Sudani disse que os países de todo o mundo, incluindo os membros da UE, devem assumir as responsabilidades e acolher os detidos para os levar perante a justiça.
"São seus nacionais", afirmou.
Sob pressão do exército sírio, as Forças Democráticas Sírias (FDS), de maioria curda, retiraram-se das prisões onde mantinham combatentes do EI e dos campos onde vigiavam as famílias dos detidos no nordeste da Síria.
As FDS foram a ponta de lança na luta contra o EI na Síria, derrotado em 2019 com o apoio de uma coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, que apoiam agora as autoridades de Damasco.
As FDS capturaram milhares de combatentes do grupo radical, que tinha declarado o estabelecimento de um califado entre o Iraque e a Síria.
No maior campo de familiares de extremistas, Al-Hol, os curdos retiraram-se na terça-feira e as forças sírias entraram no dia seguinte.
Um antigo funcionário humanitário, que pediu para não ser identificado, disse à AFP que vários detidos aproveitaram o "vazio de segurança" para fugir, sem especificar o número ou a nacionalidade dos fugitivos.
O campo de Al-Hol acolhe mais de 23.000 pessoas, na maioria mulheres e crianças, incluindo cerca de 15.000 sírios e mais de 2.200 iraquianos.
Além dos iraquianos, os estrangeiros somam 6.280 pessoas, maioritariamente de origem árabe e asiática, mas também um pequeno número de ocidentais, de acordo com dados da administração anterior.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) "conseguiu deslocar-se a Al-Hol nos últimos três dias, mas não pôde entrar devido à segurança volátil", afirmou a porta-voz da agência na Síria, Céline Schmitt.
A porta-voz disse que o ACNUR e o Fundo da ONU para a Infância (Unicef) conseguiram entregar camiões de água no campo na quinta-feira, e esperavam regressar hoje para retomar a distribuição de pão, interrompida nos últimos três dias.
O ACNUR assumiu a gestão do campo em 01 de janeiro, antes do início das hostilidades entre Damasco e as forças curdas.
"As organizações humanitárias que operavam no interior do campo retiraram-se agora completamente e alguns dos seus centros foram incendiados" pelos detidos, relatou à AFP um funcionário de uma das organizações.
Um segundo campo, de menores dimensões, denominado Roj, permanece sob o controlo das FDS e acolhe 2.328 pessoas, na maioria estrangeiros, incluindo ocidentais.
O cessar-fogo proclamado na terça-feira à noite tem estado a ser globalmente respeitado entre o exército sírio e as FDS, referiu a AFP.
Ao abrigo do acordo, cerca de 800 combatentes curdos que se encontravam na prisão de Al-Aqtan, em Raqa, onde vigiavam prisioneiros do EI, foram retirados sob a guarda das forças sírias.
O Ministério do Interior sírio afirmou na segunda-feira que 120 membros do EI tinham fugido de outra prisão, em Chaddadi, mas que as autoridades conseguiram capturar 81 dos fugitivos.
A UE manifestou já preocupação com a situação após o destacamento do exército das autoridades da Síria que derrubaram o regime de Bashar al-Assad em dezembro de 2024, e pretendem estender a autoridade a todo o país.
"As recentes alegadas fugas de detidos do Daesh no meio dos confrontos [entre o exército e os curdos] são extremamente preocupantes", disse o porta-voz da Comissão Europeia Anouar-El-Anoun.
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