Irão: "Ninguém tem o direito de nos dizer o que devemos fazer"
- 08/02/2026
"Não procuramos criar uma bomba nuclear. A nossa bomba é o poder de dizer não às grandes potências", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, no primeiro Congresso Nacional sobre Política Externa e a sua História, segundo a agência de notícias IRNA.
Araqchi enfatizou que o programa nuclear iraniano é uma necessidade nacional, especialmente em áreas como a agricultura, a saúde e as futuras necessidades de combustível nuclear, por isso, o país não pode renunciar a isso.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano acrescentou que Teerão pagou um preço elevado por um programa nuclear pacífico e pelo exercício do seu direito de enriquecer urânio, que considera "indiscutível".
"Não abdicaremos do nosso direito de enriquecer urânio, mesmo que o custo seja elevado. Ninguém tem o direito de nos dizer o que devemos fazer", declarou Araqchi, dois dias após o reinício das negociações nucleares indiretas com os Estados Unidos em Mascate, em Omã.
Contudo, reiterou que a República Islâmica está preparada para abordar as preocupações sobre o programa nuclear iraniano "de forma transparente e construir confiança" por meio da diplomacia, alertando também que responderá a qualquer ação militar.
"O aumento da presença militar dos EUA não nos intimida. Estamos prontos para a guerra, mas não somos belicistas. Se optarem pela diplomacia, seguiremos esse caminho", enfatizou.
Hoje, o Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, descreveu as negociações nucleares entre o seu país e os Estados Unidos como "um passo em frente", mas reiterou que Teerão não renunciará ao enriquecimento de urânio para fins pacíficos, considerando-o um direito seu enquanto signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).
As negociações entre o Irão e os EUA ocorrem num dos momentos mais críticos para o Governo iraniano, na sequência dos protestos mais violentos desde 1979 - data do início do regime dos ayatollah - e depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter ameaçado uma intervenção militar no caso de não haver um acordo nuclear e se a repressão mortífera aos manifestantes continuasse.
Para o efeito, Trump enviou o porta-aviões USS Abraham Lincoln e o seu grupo de ataque para perto das águas iranianas do Golfo Pérsico.
Os protestos no Irão começaram no final de dezembro devido ao colapso da moeda iraniana, o rial, mas rapidamente se espalharam por todo o país, exigindo o fim da República Islâmica.
A repressão causou, segundo as autoridades de Teerão, 3.117 mortes. No entanto, organizações da oposição como a Human Rights Activists in Iran (HRANA), sediada nos Estados Unidos, elevam o número de mortos para 6.961, embora continuem a verificar mais de 11.600 possíveis mortes, assim como 51.000 detenções.
Leia Também: Netanyahu vai aos EUA discutir com Trump negociações com o Irão













