Irão diz que está a elaborar roteiro para futuras discussões com os EUA
- 18/02/2026
Abbas Araghchi "salientou a ênfase dada pela República Islâmica do Irão à elaboração de um roteiro preliminar (...) para fazer avançar futuras discussões", segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, divulgado no dia seguinte a uma segunda reunião entre o Irão e os Estados Unidos (EUA) em Genebra, Suíça.
Antes das conversações com Washington, na segunda-feira, o ministro iraniano encontrou-se presencialmente em Genebra com o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi.
Durante o telefonema de hoje, Araghchi agradeceu ainda a Grossi a participação da AIEA nas negociações na cidade suíça, segundo a agência noticiosa iraniana IRNA.
Grossi tem pedido para que o Irão volte a permitir inspeções regulares às suas instalações de produção de energia nuclear, bombardeadas por Israel e pelos Estados Unidos durante a guerra de 12 dias de junho de 2025.
Dias antes do encontro com Araghchi, Grossi afirmou que um acordo com Teerão sobre as inspeções do programa nuclear iraniano é "completamente possível", apesar de "extremamente difícil".
O líder da agência da ONU recordou, durante a Conferência de Segurança de Munique, realizada no passado fim de semana, que os inspetores regressaram ao Irão após os bombardeamentos em junho passado de Israel e dos Estados Unidos, onde foi possível "inspecionar tudo, exceto o que tinha sido atacado".
"Conseguimos retomar o trabalho, estabelecer uma forma de diálogo - imperfeito, complexo e extremamente difícil, mas existe. Portanto, penso que a grande questão agora é como definir os passos para o futuro, e sabemos perfeitamente bem o que é necessário verificar e como verificá-lo", afirmou Grossi, observando que o progresso da tarefa da AIEA exige "andar na corda bamba".
O Irão recusou, em novembro, que a agência da ONU inspecionasse os vários locais bombardeados, alegando que os queria inserir numa "nova estrutura".
Estados Unidos e Irão reataram conversações a 06 de fevereiro em Omã sobre o programa nuclear iraniano, no seguimento de repetidas ameaças do Presidente norte-americano, Donald Trump, de voltar a atacar a República Islâmica.
As autoridades norte-americanas e iranianas realizaram na terça-feira uma segunda ronda de negociações em Genebra, também com a mediação de Omã, com o objetivo de evitar a possibilidade de uma intervenção militar de Washington para conter o programa nuclear de Teerão.
O Irão afirmou que Teerão e Washington chegaram a um acordo na Suíça na terça-feira sobre "um conjunto de princípios orientadores" para um possível acordo, mas o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, observou que as divergências persistiam em relação às "linhas vermelhas" impostas pelos norte-americanos.
O Irão e os Estados Unidos concluíram esta segunda ronda de negociações em três horas e meia.
As conversações indiretas abordaram questões técnicas relacionadas com o levantamento das sanções impostas ao Irão e os compromissos nucleares.
Washington insistiu em incluir o programa de mísseis balísticos do Irão, o que Teerão rejeitou, realçando diferenças significativas entre os dois lados.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, multiplicou os avisos após a repressão sangrenta de manifestações massivas em janeiro no Irão, deixando aberta a porta a uma solução diplomática, nomeadamente sobre o programa nuclear iraniano.
Na ausência de acordo, Trump ameaçou na sexta-feira o Irão com consequências "traumatizantes" e evocou mesmo abertamente a hipótese de uma mudança de regime.
O Irão tem reafirmado o direito de enriquecer urânio no âmbito de um programa nuclear para fins civis.
O Ocidente e Israel contestam a versão de Teerão, argumentando que não existe uma justificação civil credível para a escala das ambições atómicas iranianas.
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