Irão defende Omã para diálogo com EUA na falta de acordo para outro lugar
- 10/02/2026
"A realidade é que não houve acordo para que esta reunião fosse realizada noutro local que não Omã", afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baqaei, segundo a agência de notícias estatal IRNA.
O porta-voz reafirmou o papel de Mascate, ainda que vários países da região tenham manifestado interesse em acolher as negociações, incluindo a Turquia, o que colocou Istambul como uma possível cidade anfitriã.
"Considerando que fazemos parte das negociações, a nossa experiência positiva com a mediação de Omã, o nosso foco na questão nuclear como o cerne das negociações e por outros motivos, decidiu-se que Mascate seria a sede das conversações", justificou Esmaeil Baqaei.
O porta-voz assinalou que Omã foi "o mesmo lugar onde os Estados Unidos desmantelaram a mesa das negociações em junho passado", quando as conversações foram abruptamente interrompidas após os ataques de Israel e das forças norte-americanas contra a República Islâmica, justificados com o desenvolvimento do seu programa nuclear.
Nos dias que antecederam a reunião com os Estados Unidos (EUA) na sexta-feira em Mascate, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, manteve conversações com os homólogos do Qatar, Egito, Emirados Árabes Unidos, Omã, Paquistão e Turquia.
Da mesma forma, o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, contactou o emir do Qatar, Tamim bin Hamad al-Thani, e o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif.
O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão esteve hoje em reuniões com as autoridades de Omã, onde alertou os Estados Unidos para não permitirem que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, dite a "estrutura das negociações nucleares" durante a sua próxima viagem a Washington.
"Os americanos devem pensar racionalmente e não permitir que ele [Netanyahu] insinue, através dos seus gestos antes do voo, que quer ensinar aos americanos a estrutura das negociações nucleares", declarou Ali Larijani na rede social X.
Na sua mensagem, o dirigente iraniano advertiu os Estados Unidos que devem "permanecer vigilantes contra o papel destrutivo dos sionistas", referindo-se mais uma vez a Israel.
As declarações de Larijani surgem depois de Netanyahu ter afirmado que iria apresentar aos Estados Unidos a sua perspetiva sobre as bases para as negociações com o Irão, antes de embarcar para Washington, onde se vai encontrar na quarta-feira com o Presidente norte-americano, Donald Trump.
Israel quer que o Irão concorde não só em limitar o seu enriquecimento de urânio, mas também reduzir o seu programa de mísseis balísticos e terminar todo o apoio às milícias de grupos islamitas na região, como o Hezbollah no Líbano.
A República Islâmica rejeita estas exigências e afirma estar disposta a aceitar apenas certas limitações no seu programa nuclear em troca do alívio de sanções internacionais.
Depois de Omã, Larijani deverá deslocar-se ao Qatar, segundo a diplomacia de Teerão.
O Irão e os Estados Unidos retomaram as negociações na semana passada, no primeiro encontro de delegações dos dois países desde a guerra de 12 dias entre Teerão e Telavive em junho passado.
Ambos os lados descreveram a reunião como boa e concordaram em voltar a reunir-se em breve.
As negociações surgem após as ameaças de Trump de uma intervenção militar no Irão, reforçadas com o envio de uma frota naval para a região, no seguimento da violenta repressão às manifestações antigovernamentais ao longo do mês de janeiro, a que se somou a exigência de um acordo sobre a política nuclear da República Islâmica.
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