Irão condena anúncio de Trump sobre fecho do espaço aéreo da Venezuela
- 30/11/2025
"É uma violação flagrante das normas e princípios fundamentais do direito internacional, incluindo as regras que regem o transporte aéreo internacional", denunciou em comunicado, no final do sábado, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Ismail Baghaei.
Baghaei assinalou que esta ação de Washington, que se soma a uma série de medidas "provocadoras e ilegais" contra a soberania e a integridade territorial da Venezuela, constitui um "ato arbitrário e uma ameaça sem precedentes" para a segurança e a proteção da aviação internacional.
Além disso, alertou para as graves consequências que esta decisão do presidente Donald Trump poderá ter para a paz e a segurança internacionais.
Trump declarou no sábado que o espaço aéreo da Venezuela deve ser considerado "totalmente fechado".
"Todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de droga e traficantes de seres humanos considerem o espaço aéreo sobre e ao redor da Venezuela como totalmente fechado", escreveu o líder norte-americano na sua rede social, a Truth Social.
Esta declaração de Trump surge numa altura em que os Estados Unidos intensificam a pressão sobre a Venezuela com um grande destacamento militar nas Caraíbas, incluindo o maior porta-aviões do mundo, e admitem ataques terrestres no território venezuelano na luta contra os cartéis de droga.
A Venezuela condenou a mensagem do Presidente dos Estados Unidos classificando-a como uma "ameaça colonialista".
"A Venezuela denuncia e condena a ameaça colonialista que pretende afetar a soberania do seu espaço aéreo, constituindo assim uma nova agressão extravagante, ilegal e injustificada contra o povo venezuelano", referiu o Ministério dos Negócios Estrangeiros venezuelano, num comunicado.
Sob o pretexto de combater o narcotráfico, os Estados Unidos mantêm desde setembro um destacamento naval e aéreo em águas das Caraíbas próximas da Venezuela.
O Irão, um dos principais aliados da Venezuela, tem denunciado repetidamente a "atitude intimidatória", "intervencionista" e "perigosa" do presidente norte-americano em relação a Caracas nos últimos meses.
O próprio líder supremo do Irão, Ali Jameneí, criticou a atitude de Washington num discurso na quinta-feira, denunciando que "os americanos estão dispostos a instigar guerras em qualquer parte do mundo por petróleo e minerais subterrâneos, e hoje esse belicismo também chegou à América Latina".
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