Irão. Acesso a Internet para empresas deve ser restabelecida em dois dias
- 26/01/2026
As organizações de defesa dos direitos humanos denunciam que o bloqueio da Internet, imposto em 8 de janeiro, tem como objetivo encobrir uma repressão sangrenta que fez milhares de manifestantes mortos.
"Esperamos que o acesso das empresas à Internet internacional seja restabelecido dentro de um ou dois dias", revelou Hossein Rafieian, alto funcionário responsável pela economia digital na vice-presidência para a ciência e tecnologia do Irão, à agência de notícias Mehr.
A mesma fonte esclareceu, no entanto, que a decisão não está sob a sua "autoridade direta", mas que "o assunto está a ser continuamente monitorizado através de consultas com as autoridades competentes".
O bloqueio está a afetar toda a economia e, segundo o ministro das Telecomunicações, Ehsan Chitsaz, citado no domingo pelos meios de comunicação iranianos, o custo foi estimado entre 4.000 e 6.000 mil milhões de riais por dia (entre 2,5 milhões e 3,3 milhões de euros).
A ONG de monitorização de cibersegurança NetBlocks apresentou uma estimativa muito mais elevada, superior a 31 milhões de euros por dia.
De acordo com a NetBlocks, o Irão está sem acesso à Internet global há 18 dias.
"A rede está a ser reforçada para limitar as tentativas de burla, enquanto as contas do regime numa lista branca estão a promover a narrativa da República Islâmica", acrescentou a organização.
Iniciado em dezembro por comerciantes que protestavam contra a crise económica, o movimento de protesto ganhou uma força significativa em 8 de janeiro, representando o maior desafio para a República Islâmica desde a sua fundação em 1979.
Segundo as ONG que estão a documentar as mortes relacionadas com a repressão, o apagão está a dificultar a recolha de dados, mas os números confirmados até à data são provavelmente muito inferiores ao número real.
A ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA) confirmou quase 6.000 mortos e está a investigar milhares de outros casos, contabilizando ainda pelo menos 41.283 detenções.
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