Irão: 47 anos de independência demonstram "vontade de uma Nação"
- 10/02/2026
Numa declaração enviada à agência Lusa para assinalar os 47 anos da Revolução Islâmica, que, a 11 de fevereiro de 1979, derrubou o regime do xá Mohammad Reza Pahlavi, Majid Tafreshi defendeu que o regime teocrático liderado pelo ayatollah Ali Khamenei tem como base "a participação popular e solidariedade social".
Na declaração, em que exorta os feitos do país nos últimos 47 anos, não há qualquer referência aos protestos antigovernamentais que eclodiram nos últimos anos, com dezenas de mortos e milhares de detidos, nem à crise económica, nem às sanções e nem aos perigos de um conflito militar, limitando-se a falar de "vários desafios e pressões extremas" de que o Irão é alvo, mas sem os pormenorizar.
"Passaram-se 47 anos desde este acontecimento histórico, refletindo a continuidade dos princípios que moldaram os alicerces da política e da identidade nacional da República Islâmica do Irão, princípios como a preservação da integridade territorial, a independência na tomada de decisões e a salvaguarda dos interesses nacionais, apesar dos vários desafios e pressões externas", afirmou.
Para Tafreshi, este desenvolvimento foi um "ponto de viragem na história contemporânea do Irão", que, ao pôr fim a um período de dependência política, do regime do xá, "abriu caminho para a adoção de uma abordagem independente e responsável na arena nacional e internacional.
"[Abriu caminho a] uma abordagem baseada no respeito mútuo, na rejeição da hegemonia e na adesão aos princípios do direito internacional", prosseguiu.
"Na experiência histórica das nações, a resistência pode ser considerada uma resposta natural à ocupação, à coerção e ao exercício de poder desequilibrado, um fenómeno que está enraizado na natureza humana e não se limita a uma cultura, religião ou geografia específicas", sustentou o embaixador do Irão em Lisboa.
Para Tafreshi, a formação do Movimento dos Países Não Alinhados "também é um reflexo dos esforços coletivos dos países para fortalecer o multilateralismo, manter a independência e enfrentar as consequências dos sistemas baseados na dominação nas relações internacionais".
Aflorando, sem explicitar, as dúvidas e pressões internacionais, Tafreshi referiu que o Irão "compreende os complexos desenvolvimentos regionais e globais e enfatiza o fortalecimento das capacidades internas".
Nesse sentido, prosseguiu, Teerão defende o avanço do desenvolvimento sustentável e o desempenho de um papel construtivo nas interações internacionais, e considera "o diálogo, a cooperação e a participação responsável essenciais para garantir a paz, a estabilidade e a segurança duradouras".
"Sem dúvida, a experiência de mais de quatro décadas de existência da República Islâmica do Irão mostra que a estabilidade e o crescimento de qualquer sistema político dependem da legitimidade popular, da governança eficaz e da adoção de uma abordagem realista e voltada para o futuro ao lidar com os desenvolvimentos internacionais, um caminho que [o país] seguirá dentro da estrutura de interesses mútuos e respeito pela soberania dos países", concluiu o diplomata iraniano.
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