Inundações, ruas intransitáveis e estragos por contabilizar na Lourinhã
- 05/02/2026
A agência Lusa esteve na vila da Lourinhã, cerca das 13:30, numa altura em que não chovia e algumas estradas estavam quase secas, contrastando com outras áreas, onde o nível da água cobria quase a totalidade dos pneus das poucas viaturas estacionadas.
O movimento nas ruas da Lourinhã era escasso, várias lojas estavam fechadas, algumas delas por se encontrarem em ruas intransitáveis devido às cheias, enquanto outros estabelecimentos estavam a funcionar normalmente, embora com menos movimento do que habitualmente.
Também não eram visíveis ações de limpeza nas zonas afetadas pelas cheias. Em declarações à agência Lusa, o vereador da Proteção Civil da Câmara da Lourinhã, António Gomes, explicou que não é possível intervir enquanto o nível da água não baixar naturalmente.
Ainda assim, o município antevê "muito trabalho" de limpeza e lavagem das ruas assim que as condições o permitam. Segundo o autarca, nas próximas horas, com a subida da maré, não é expectável uma descida do nível da água, podendo mesmo verificar-se um agravamento da situação.
De acordo com o responsável pela Proteção Civil, há registo de inundações em alguns estabelecimentos comerciais e na Igreja de Nossa Senhora dos Anjos, embora os prejuízos ainda não tenham sido contabilizados.
Todas as escolas do concelho foram hoje encerradas devido às dificuldades de circulação e permanecerão fechadas na sexta-feira. O centro de saúde não foi afetado pelas cheias, mas encontra-se a funcionar apenas com serviços mínimos, indicou António Gomes.
O vereador salientou ainda que há várias estradas cortadas no concelho, sendo a situação mais grave na Estrada Nacional 8-2, no Lugar do Lourim, que liga a Lourinhã a Torres Vedras e à A8. A via sofreu um abatimento parcial na semana passada, na sequência da depressão Kristin, e as obras ainda não tiveram início devido à persistência do mau tempo.
Segundo António Gomes, a Infraestruturas de Portugal tem tentado iniciar a intervenção, sem sucesso. "Não sabemos quando é que vão conseguir começar a obra a sério, mas é uma obra prevista para durar entre um a dois meses, pelo que esta via vai permanecer interrompida durante bastante tempo", referiu.
A reportagem da Lusa esteve também na freguesia do Vimeiro, uma das zonas mais afetadas pelas cheias no concelho.
Vários estabelecimentos comerciais encontram-se inundados e encerrados, entre os quais um supermercado e uma bomba de gasolina.
O Lar Nossa Senhora do Carmo está a funcionar normalmente, uma vez que o interior não foi afetado, embora o edifício esteja cercado pela água.
O presidente da Junta de Freguesia do Vimeiro, José Luís Castro, disse à Lusa que a troca de turnos dos funcionários tem sido assegurada com o apoio de um veículo dos bombeiros, já que não é possível aceder ao lar a pé nem com viaturas ligeiras.
Também nesta freguesia não eram visíveis ações de limpeza, devido à impossibilidade de acesso às zonas inundadas. Segundo o autarca, há muitas habitações afetadas, mas os estragos ainda estão por avaliar.
"Na área das cheias não conseguimos circular e não conseguimos fazer limpeza nenhuma", afirmou.
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