"Injusto". Menino de 5 anos detido pelo ICE não teve acesso a medicação
- 02/02/2026
Liam Conejo Ramos, o menino de cinco anos detido pelo Serviço de Imigração e Alfândegas dos Estados Unidos (ICE), e o pai, Adrian Conejo Arias já regressaram a casa depois de uma semana detidos.
Foi no domingo, dia 1 de fevereiro, que os dois embarcaram num avião que os levou de San Antonio, no Texas, para Minneapolis, no Minnesota, num voo que levou cerca de três horas a chegar ao destino.
Ao embarcarem, Adrian descreveu-se a si, e ao filho, como "felizes", por estarem embarcar, segundo conta a ABC News que acompanhou pai e filho na viagem.
Em entrevista ao mesmo meio, o equatoriano considerou que "é injusto que eles [ICE] prendam pessoas que só vieram para este país para trabalhar arduamente e tentar com que as famílias tenham uma vida melhor".
A semana de detenção não foi fácil. As condições, segundo o pai eram "más", com os funcionários federais a recusarem o mais básico dos direitos humanos. Nessa semana, Liam terá adoecido. Adrian pediu medicamentos para o filho, mas o pedido terá sido negado.
O menino terá melhorado sem a ajuda da medicação e agora, contou, só quer reunir-se com a mãe e com o irmão.
Adrian nega ter abandonado o filho: "Amo-o demasiado"
Pai e filho foram detidos por agentes do ICE no passado dia 20 de janeiro quando regressavam a casa em Minneapolis, no estado do Minnesota.
O Departamento de Segurança Interna alegou que não prendeu o menor, apenas que a mãe (que estava dentro de casa) se recusou a ficar com ele, e depois de o pai ter fugido, abandonando o rapaz. Por isso, defendem, tiveram de levar o menor, para a sua própria segurança.
"Quando os agentes se aproximaram, Adrian Alexander Conejo Arias fugiu a pé, abandonando o seu filho. Os nossos agentes fizeram várias tentativas para que a suposta mãe, que estava dentro da casa, assumisse a custódia do filho. Os agentes até garantiram que ela não seria detida. A suposta mãe recusou-se. [...] O pai disse aos agentes que queria que a criança ficasse com ele", disse a porta-voz do departamento.
Questionado sobre se teria fugido, Adrian negou veementemente esta versão dos factos, explicando que estava apenas a andar uns metros à frente do filho, a gritar, para que alguém os ajudasse.
"A única coisa que fiz foi gritar", defendeu. "Eu amo demasiado o meu filho. Nunca o abandonaria".
Liam de Ramos de volta a casa© JoaquinCastrotx/X
Numa outra entrevista, também a mãe do menino, Erika Ramos já tinha contado a sua versão dos eventos.
"O Adrian pedia-me repetidamente para não sair. Tinha medo de que também me detivessem", recordou a mulher que, para além de ter o outro filho em casa, também se encontrava grávida.
Ao se aperceberem que ela estava na habitação, os agentes "tiraram o Liam do carro" e levaram-no até à porta.
"Bateram à porta e o meu filho Liam dizia-me: 'Mamã, abre a porta.' Eu estava aterrorizada. O meu marido gritava-me, 'não abras a porta', e eu não o fiz por medo de também ser detida e de deixar o meu outro filho sozinho. Como não abri a porta, levaram o Liam para o carro do ICE", disse, em lágrimas.
A mãe do menino apontou ainda que, na sua ótica, "parecia uma tentativa deliberada" de a provocar, "como se quisessem que saísse desesperada atrás do [seu] filho para [a] deter".
Na ordem de libertação emitida pelo juiz federal Fred Biery no sábado, considerou "o caso tem a sua origem na mal concebida e incompetentemente aplicada pretensão do governo de atingir quotas diárias de deportação, mesmo que tal exija traumatizar crianças".
E notou ainda: "Os mandados administrativos emitidos pelo poder executivo para si mesmo não passam no teste da causa provável. Isso é o chamado de 'a raposa a guardar o galinheiro'".
Na mesma decisão, o juiz incluiu também a fotografia viral do menino, com a sua mochila do homem-aranha e o seu chapéu com orelhas de coelho azul. Por baixo deixou duas indicações de versos bíblicos. Um deles, João 11:35, diz apenas: "Jesus chorou".















