Incineração de resíduos pior para clima do que gás natural, alerta Zero
- 29/11/2025
Usando dados oficiais da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), a Zero faz uma comparação entre as várias formas de produzir eletricidade e mostra que a que liberta mais gases com efeito de estufa por unidade de eletricidade produzida é a incineração de resíduos urbanos, com exceção do uso de diesel na Madeira.
Os valores de gases da incineração são no continente sensivelmente o dobro do gás natural fóssil e da cogeração fóssil. Nos Açores a libertação de gases devido ao uso do gasóleo é muito elevada mas a incineração ainda é pior. Na Madeira a quantidade de gases libertados pelo uso de gasóleo é superior à emissão resultante da incineração.
"Desde 2006 que existem dados que provam que a incineração de resíduos urbanos (RU) é uma das formas mais poluentes de produzir energia elétrica no sistema elétrico nacional, não obstante o facto de, durante vários anos ter recebido subsídios como energia renovável", diz a Zero no comunicado.
As elevadas emissões, justifica, devem-se à existência nos RU de materiais com carbono fóssil, como os plásticos, e ainda à pouca eficiência energética por os resíduos terem muita água, por causa dos biorresíduos.
No documento a associação alerta ainda para os "interesses ligados ao setor da incineração de resíduos" que procuram levar o país "a gastar mais de mil milhões de euros (que não podem vir de fundos comunitários) na construção de mais incineradores".
E explica que há melhores alternativas à incineração, sendo mais importante garantir uma boa recolha seletiva de resíduos, incluindo dos bioresíduos, e garantir o pré-tratamento de todos os resíduos indiferenciados.
As estações de tratamento mecânico e biológico (TMB) podem neste caso desempenhar um "papel fundamental"no tratamento dos resíduos indiferenciados, com benefícios climáticos e com a vantagem de fixar carbono no solo, permitir a produção de energia renovável (biometano) e reduzir as emissões em processos de produção de energia
A Zero considera fundamental que o Governo, mas também os sistemas de gestão de resíduos e, em particular, os municípios, "compreendam que existem formas de gerir os resíduos urbanos que, além de os transformarem em matérias-primas mais sustentáveis, são muito mais baratas e muito mais limpas em termos de emissões de gases com efeito de estufa".
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