Ignorância sempre foi a bênção de Rui Costa, mas o 'Seixalgate' muda tudo

  • 26/01/2026

Já apanhou uma cebola podre na despensa? À primeira vista, parece estar boa. Retira a casca, tudo bem; retira a primeira camada, igual; retira duas, três, quatro e acaba por deparar-se com um centro inaproveitável. Os anos passam e esta é uma metáfora que se vai aplicando cada vez mais ao dirigente que é Rui Costa.

 

Quando se estreou nestas lides, lançado por Luís Filipe Vieira, em 2008, o projeto era claro: aproveitar e fama de uma das maiores 'lendas' da história do futebol português e torná-lo numa figura 'presidenciável', para assegurar uma transição pacífica, num futuro distante. A visibilidade pública do trabalho que realizava era nula, a não ser um ou outro voo para trazer um craque (como o mediático caso de Pablo Aimar), pelo que a imagem não podia ser melhor.

'Surfou' no sucesso desportivo que marcou grande parte do 'reinado' de Luís Filipe Vieira, resistindo com relativa imunidade a todos os escândalos no qual o clube se via envolvido, ora por via dos vouchers, ora por via dos emails... Era estranho que uma figura tão próxima do presidente de nada soubesse, mas, se soubesse, algo faria, certo?

Veio a Operação Cartão Vermelho e, com ela, a queda de Luís Filipe Vieira, acusado de ter montado um esquema financeiro para desviar dinheiro dos cofres do Benfica para benefício pessoal, isto, debaixo do nariz do então vice-presidente e administrador da SAD, Rui Costa, que até assinara contratos que, mais tarde, assumiria nunca ter lido.

Tal como aconteceu em tudo o que ficou para trás, o Maestro sacou do ditado "A ignorância é uma bênção" para justificar todos os casos suspeitos que nunca lhe fizeram soar o mínimo alarme. Foi eleito presidente, e, tirando a primeira temporada completa, na qual tudo lhe correu de feição, os fracassos desportivos foram-se acumulando.

Ora o azar, ora as arbitragens, ora as lesões, ora os resquícios da Covid-19... Em mais de quatro anos de presidência, foi fazendo uso de toda e qualquer desculpa para justificar os maus resultados. Uma estratégia que, é preciso dizer-se, é totalmente legítima, como confirma a reeleição, mas que não abona a favor das suas qualidades.

No entanto, o cerco de cerca de 200 adeptos ao complexo do Seixal, na véspera da goleada ao Estrela da Amadora, muda tudo. Rezam as crónicas que Rui Costa já sabia que algo do género iria acontecer, depois de uma manifestação semelhante ter sido evitada, após a eliminação da Taça da Liga, de tal maneira que o policiamento ao local foi reforçado.

Mas, mesmo que não soubesse, de quem mais seria a responsabilidade de lidar com tamanho ato de protesto a não ser do presidente do Benfica? Alguém teve de autorizar a entrada, primeiro, de quatro representantes, e, depois, de todos os outros elementos do grupo, e, se não foi o próprio, algo de extremamente grave ao nível da segurança se passou.

Pode ter sabido antes ou apenas no momento. Nada disso interessa. O que interessa é que, ao contrário dos milhentos casos anteriores, neste, Rui Costa sabia, efetivamente, que algo se passava. E, confrontado com isso, optou por nada fazer, refugiando-se, ao invés, num comunicado que empacota tudo o sucedido com um belo laço por cima.

Vamos para 48 horas volvidas, e, até ao momento, não se ouviu uma palavra de Rui Costa. O que é de estranhar, especialmente se tivermos em conta que não precisou de muito mais do que isso para vir a público desdobrar-se em justificações para serenar as desconfiançar provocadas pela contratação de Rafa Silva.

Possivelmente, o melhor até será não o fazer, correndo o risco de replicar a bizarra estratégia de comunicação (adotada ou imposta?) de José Mourinho, que teve a oportunidade de colocar tudo em pratos limpos, instantes após os tais 200 adeptos terem abandonado o Seixal, mas ignorou o episódio olimpicamente, em declarações à BTV.

"O que é que aconteceu?", ainda perguntou, de cara fechada, quando um órgão de comunicação social independente o questionou sobre o cerco ao Seixal, após o jogo com o Estrela da Amadora. Mas fiquemo-nos por aqui, até porque esta contínua desvalorização das conferências de imprensa mereceria todo um outro rol de considerações.

Da promessa de Mourinho ao hino. Os bastidores do cerco ao Benfica Campus

Da promessa de Mourinho ao hino. Os bastidores do cerco ao Benfica Campus

Cerca de 200 adeptos deslocaram-se ao Benfica Campus, no Seixal, para pedirem explicações sobre o mau momento da equipa. Da boca do treinador, José Mourinho, ouviram justificações para o mau momento desportivo, mas também uma garantia.

Carlos Pereira Fernandes | 08:20 - 25/01/2026

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/desporto/2926031/ignorancia-sempre-foi-a-bencao-de-rui-costa-mas-o-seixalgate-muda-tudo#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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