Iémen: Pelo menos 20 separatistas mortos após ataques da Arábia Saudita
- 02/01/2026
Os combatentes morreram durante ataques a bases militares separatistas em Al-Khasha e Seyoun, disse o oficial, que pediu para não ser identificado, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).
Fontes médicas citadas pela AFP confirmaram o balanço, que até agora era de sete mortos.
São as primeiras baixas infligidas por Riade, aliado do Governo iemenita reconhecido internacionalmente, ao STC desde que as forças separatistas assumiram o controlo, em dezembro, de grandes partes das províncias vizinhas de Hadramout, fronteiriça com a Arábia Saudita e rica em petróleo, e de Mahra.
Este avanço dos separatistas, que fazem parte do governo e são apoiados por Abu Dhabi, provocou a ira das outras fações governamentais e de Riade, aumentando as tensões entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.
Ainda hoje o STC anunciou o início de um processo de dois anos rumo à independência do Sul, que inclui um referendo a 02 de janeiro de 2028, após terem tomado vastas áreas do território nas últimas semanas.
"Partindo do desejo e da vontade do nosso povo do Sul de restaurar e proclamar o seu Estado (...), anunciamos o início de uma fase transitória com a duração de dois anos", declarou o presidente do STC, Aidarus al-Zoubaidi, decidido a restaurar o Estado do Sul da Arábia.
O líder do movimento separatista falava numa intervenção dirigida à população do sul do Iémen, após a eclosão da crise entre as autoridades separatistas e o Governo iemenita reconhecido pela comunidade internacional.
"Hoje lançamos uma declaração constitucional para restaurar o Estado do Sul da Arábia", afirmou al-Zoubaidi, anunciando o início de "uma fase de transição de dois anos que procura evitar conflitos e garantir um percurso político seguro".
Al-Zoubaidi precisou que "a declaração inclui a realização de um referendo para regular o exercício do direito à autodeterminação dos povos do Sul, sob supervisão internacional", em princípio após os 24 meses de transição, mas advertiu que, caso os combates prossigam, não exclui a aprovação unilateral da independência.
"A declaração constitucional para restaurar o Estado do Sul da Arábia entrará imediatamente em vigor se o nosso apelo não for atendido ou se formos alvo de qualquer agressão, e todas as opções estão em cima da mesa se as reivindicações não forem tidas em conta", avisou.
"Hoje, eclodiu a guerra entre o norte e o sul", declarou o porta-voz militar do STC, general Mohammed al-Naqib, anunciando uma "batalha decisiva" pelas províncias de al-Mahra e Hadramawt, historicamente reivindicadas pelos separatistas.
O conflito territorial no sul do país tem sido ofuscado por anos de guerra civil entre o Governo iemenita e o movimento rebelde Huthi, que controla a capital, Sana, há cerca de uma década.
No auge do conflito, os separatistas do STC apoiaram de forma relutante as autoridades de Aden em troca de promessas de independência, num país que esteve dividido entre norte e sul até 1990.
Essa aliança frágil rompeu-se de forma mais grave no início de dezembro, quando forças separatistas lançaram uma ofensiva no leste do país para retomar territórios históricos, resultando na morte de 32 soldados iemenitas em Hadramawt.
Na semana passada, ataques aéreos sauditas visaram áreas controladas pelos separatistas, que, segundo o STC, foram retomados hoje, em paralelo com operações terrestres das forças pró-governamentais conhecidas como Escudo da Pátria.
Leia Também: Últimas forças dos Emirados Árabes Unidos deixam o Iémen













