Hugo Martins quer surpreender: "Chipre tem mais qualidade do que pensam"
- 01/01/2026
Hugo Martins afirma estar satisfeito com os primeiros meses ao leme do AEL Limassol. O treinador português de 48 anos mudou-se para o Chipre, em 2023, mas apenas em 2025 deu o salto para o clube de Limassol, onde luta, agora, por uma vaga no top6 do máximo escalão.
Em entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto, Hugo Martins recorda que aceitou o convite numa altura particularmente turbulenta para o clube, e diz acreditar que será capaz de promover alguma surpresa, na segunda metade da temporada.
O técnico natural de Cascais também estabelece as diferenças entre o futebol cipriota e o futebol português, revelando, ainda, como vai gerindo as saudades de casa.
Que balanço faz desta aventura ao leme do AEL Limassol?
O balanço é positivo. Nós chegámos à 6.ª jornada num contexto que não era favorável, porque a equipa vinha de um ciclo de três derrotas e um empate, e só tinha ganho na 1.ª jornada. No nosso primeiro jogo, que era da Taça, conseguimos o objetivo, apesar de alguma dificuldade e após prolongamento, de passar à fase seguinte da competição, e, neste momento, temos seis vitórias para o campeonato, dois empates e duas derrotas. As derrotas foram com o Aris e com o Pafos, que, neste contexto de Chipre, são as equipas com maior capacidade financeira.
Conseguimos, neste momento, atingir os mesmos pontos que o sexto classificado, que é o Apollon, e o nosso objetivo é chegar ao top6. Portanto, até ao momento, as coisas estão a correr bem, e, agora, queremos sempre mais e queremos melhorar a equipa, e isso vai exigir cada vez mais de todos nós.
O que lhe pediram os responsáveis do clube na hora de lhe apresentarem a proposta?
Quando entras para um clube como o AEL, não podes ter nenhum outro objetivo que não seja chegar ao top6. Com isso, na segunda fase da época, portanto, queremos competir com os melhores clubes, naquilo que é o apuramento de campeão. Em primeiro lugar, atingir o top6, e, depois, podermos fazer alguma surpresa neste formato da competição.
O facto de contar com Sérgio Conceição no plantel ajuda-o a comunicar melhor com o grupo?
Todos os jogadores falam inglês, e a grande parte da comunicação é feita em inglês. Depois, temos aqui outros jogadores, como o Luther Singh, que também fala português, além do Ochoa e do Fernando Forestieri, que falam espanhol. Há, aqui, alguns jogadores com quem, através da língua, conseguimos comunicar em português, mas a comunicação, normalmente, é feita em inglês. Claro que ajuda ter jogadores portugueses. Há situações em que podemos chegar mais junto dos jogadores, porque a mesma língua aproxima. Mas muito mais importante do que isso, é aquilo que ele [Sérgio Conceição] ajuda como jogador, sinceramente. Ele e todos os outros.
Sérgio Conceição é o único jogador português às ordens de Hugo Martins, no AEL Limassol. © Divulgação/AEL Limassol
Chegou ao Chipre em 2023 e já passou por quatro clubes. Considera estar já totalmente adaptado ao país?
Conheço bem a realidade do Chipre, conheço bem a segunda e a primeira divisão, que são, obviamente, as duas principais competições do país. Conheço muito bem os jogadores cipriotas, porque já trabalhei com muitos, e, depois, o facto de conhecer bem a competição dá-me algumas vantagens em termos daquilo que é a perspectiva do próximo jogo, da preparação do jogo e das características do próprio estilo de jogo que existe, aqui, no Chipre. Portanto, considero-me totalmente adaptado e crente que de que tenho um conhecimento profundo das características do campeonato.
Que diferenças encontra em comparação com Portugal?
Isto tem muitas diferenças, obviamente, com Portugal. A questão dos estádios, por exemplo. Em Limassol, temos três equipas a partilhar o mesmo estádio, apesar de ser um estádio novo e espetacular, o AlphaMega, mas tem essa particularidade. Em Nicosia, há também um estádio para três equipas, portanto, não há muitas estruturas para a competição, mas é perfeitamente fazível, porque temos um campeonato com um número mais limitado do que em Portugal.
E em termos de futebol jogado?
Em termos de futebol, o jogador em Portugal, obviamente, tem mais qualidade. Ou seja, o campeonato tem muito mais jogadores de qualidade e treinadores também com muita qualidade. Não quer dizer que aqui não haja, mas o nível que nós temos em Portugal de jogadores e de treinadores é claramente superior ao do Chipre.
Mas há clubes do Chipre a dar nas vistas...
Convém também perceber que é um campeonato que tem qualidade. Veja-se a campanha que o Pafos está a fazer na Liga dos Campeões, o próprio AEK na Liga Conferência Europa, o Omonia, e o AEK, há coisa de um mês, foi ganhar ao Crystal Palace. Por aqui se consegue perceber que o campeonato tem qualidade. Tem equipas com jogadores de muita qualidade e tem outras equipas que se calhar a nível técnico e tático os jogadores não são tão evoluídos, mas, em termos mentais, demonstram uma grande capacidade. No fundo, trata-se de um campeonato com menos qualidade, mas com mais qualidade do que aquilo que a maioria das pessoas pensa.
Como vai gerindo as saudades da família e de Portugal?
As saudades... Ainda há pouco tempo estiveram cá a minha mãe, o meu irmão, os meus sobrinhos e a minha cunhada. Tenho cá, também, a minha equipa técnica. Somos quatro, no total, portugueses, portanto, também acabam por ser parte da família. E tenho cá o meu filho a viver comigo, que é algo espetacular.
Esse contexto ajuda, portanto, a ir fintando as saudades...
Obviamente que tenho algumas saudades do nosso país, mas elas, de alguma forma, são superadas por todo este contexto familiar que eu tenho, aqui. O facto de o meu filho e também de os meus assistentes estarem cá, e de quando em vez, familiares meus virem conhecer o país e visitar-me, logicamente que ajuda.
Que desejos quer deixar para este no ano de 2026?
Aquilo que eu desejo para 2026, de uma forma muito genérica, é que haja uma maior consciência moral no mundo, e, com isso, uma maior humanização daquilo que são as relações entre as pessoas, entre os países e entre os governantes. Isso é o que eu desejo sempre, em primeiro lugar, essa riqueza humana, que ela seja em maior abundância para o próximo ano.
E a nível pessoal?
Continuar a ter saúde, porque o resto nós corremos atrás e procuramos fazer. Portanto, saúde, maior humanismo e, em relação ao aspecto desportivo, fazer melhor do que aquilo que fizemos, até aqui. Procurar sempre evoluir e que 2026 traga alegria a todos os adeptos e simpatizantes do AEL, que como primeiro objetivo seria ficar no top6.













