Hospital Nasser nega presença de homens armados denunciada pelos MSF
- 15/02/2026
Sábado, os MSF denunciaram a presença de homens armados e decidiram suspender parte das suas operações num dos maiores hospitais ainda em funcionamento na Faixa de Gaza, após doentes e funcionários terem relatado a presença de homens armados e encapuzados, existindo no local falta de segurança.
Hoje, num comunicado, a administração do maior hospital da Faixa de Gaza, situado em Khan Yunes, no sul do enclave, lamentou o comunicado dos MSF e referiu tratar-se de uma força policial destinada a proteger pessoal e doentes, exigindo à organização não-governamental que se retrate de declarações "que poderão colocar em risco real os ocupantes da unidade".
No documento, as autoridades do hospital desmentem todas estas acusações, que considerou "falsas, infundadas e enganosas" sobre "a presença ou utilização de armas ou de grupos armados no hospital", acrescentando que são "objetivamente incorretas, irresponsáveis e representam um grave risco para uma instalação médica civil protegida".
O comunicado, publicado nas redes sociais do Ministério da Saúde de Gaza, refere que o que existe é uma "polícia civil" destinada a "proteger os doentes e o pessoal médico" e que tal não constitui, de forma alguma, "uma atividade militar nem a utilização do hospital por um grupo armado".
Considerando que as declarações da MSF violam o princípio de neutralidade da organização não-governamental e colocam em perigo a segurança dos ocupantes do hospital, as autoridades da unidade exigem à organização que se retrate de imediato.
"O Complexo Hospitalar Nasser mantém o seu pleno compromisso com o direito internacional humanitário, a ética médica e a proteção de todos os doentes sem discriminação", conclui o comunicado.
O Hospital Nasser é um dos poucos ainda operacionais no enclave. Centenas de doentes e feridos de guerra foram ali tratados, e a unidade serviu também de ponto de acolhimento para prisioneiros palestinianos libertados por Israel em troca de reféns israelitas, no âmbito do acordo de cessar-fogo.
Os MSF explicaram que tomaram a "difícil decisão" após um aumento de relatos de doentes e funcionários que avistaram homens armados em áreas do complexo hospitalar desde a entrada em vigor do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, em outubro.
Os grupos armados multiplicaram-se em Gaza na sequência da guerra, incluindo vários apoiados pelo exército israelita na parte do enclave sob controlo de Israel.
Segundo a organização MSF, funcionários do Hospital Nasser afirmam que, nos últimos meses, a unidade foi repetidamente atacada por membros de tribos armadas e milícias, apesar da presença policial no local.
Os MSF acrescentaram que as suas preocupações foram também agravadas por anteriores ataques deliberados de Israel contra instalações de saúde durante o conflito.
Ao longo da guerra, Israel atacou hospitais em diversas ocasiões, incluindo o Hospital Nasser, acusando o Hamas de operar no seu interior ou nas imediações. Elementos de segurança do Hamas foram igualmente vistos com frequência dentro de hospitais, bloqueando o acesso a determinadas áreas.
Alguns dos reféns libertados de Gaza afirmaram ter permanecido em hospitais durante o período de cativeiro.
Organizações humanitárias e de defesa dos direitos humanos afirmam que Israel devastou o sistema de saúde de Gaza, forçando o encerramento da maioria dos hospitais e causando graves danos a outros. Durante o conflito, as forças israelitas realizaram incursões em vários hospitais e atacaram outros, detendo centenas de profissionais de saúde.
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