Hezbollah acusa Governo libanês de se desviar de confronto com Israel
- 16/02/2026
"É da responsabilidade do Estado confrontar esta agressão, conquistar a soberania e desenvolver planos. No entanto, o que o Estado libanês está a fazer é priorizar o desarmamento, um grave pecado, uma vez que esta questão favorece os objetivos do inimigo israelita", declarou o líder do grupo xiita libanês num comunicado televisivo.
Israel continua a atacar o Líbano quase diariamente, em resposta a alegadas violações do cessar-fogo em vigor com o Hezbollah, o qual estipula também o fim da presença das milícias do movimento na região fronteiriça junto do território israelita.
As autoridades libanesas declararam recentemente o fim do processo de desarmamento nestas áreas e, durante o dia, o exército apresentou ao Conselho de Ministros um dos relatórios periódicos sobre este tema, antes de avançar para uma segunda fase que prevê a continuação da recolha de armas noutras regiões.
O secretário-geral do Hezbollah, que se opõe desde o início ao desarmamento, insistiu que tratar-se de uma imposição da comunidade internacional e que condiciona o apoio ao executivo de Beirute à conclusão prévia desta etapa.
"O mundo não nos ajudará a não ser que nos rendamos e desarmemos", observou Naim Qassem, que acrescentou: "Não queremos que o mundo nos ajude".
O líder do grupo xiita condenou ainda a retórica que defende que as concessões a Israel são uma forma de evitar uma nova grande ofensiva contra o Líbano.
O Hezbollah acredita que o desarmamento dos combatentes vai deixar o Líbano indefeso contra Israel, embora tenha manifestado abertura para o diálogo e desenvolver uma estratégia de segurança nacional caso o lado israelita cesse os ataques e retire as tropas das zonas onde estão posicionadas.
Apesar da trégua em vigor desde novembro de 2024, as forças israelitas continuam a visar quase diariamente posições do grupo libanês, que acusam de procurar a recuperação das capacidades militares após o conflito iniciado no ano anterior.
O Hezbollah integra o chamado eixo da resistência apoiado pelo Irão e envolveu-se em hostilidades militares com Israel logo após o início da guerra na Faixa de Gaza, em outubro de 2023, em solidariedade com o aliado palestiniano Hamas.
Após quase um ano de troca de tiros ao longo da fronteira israelo-libanesa, Israel lançou uma forte campanha aérea no verão de 2024, que decapitou a direção do movimento xiita, incluindo o líder histórico Hassan Nasrallah e vários outros responsáveis da hierarquia política e militar do Hezbollah.
A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) termina o mandato em 2026, depois de quase cinco décadas no sul do país, e registou cerca de 10 mil violações no primeiro ano do cessar-fogo.
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