Harvey Weinstein diz que jurados foram pressionados a condená-lo
- 08/01/2026
Esta é a última reviravolta complicada no percurso do ex-líder de Hollywood pelo sistema de justiça criminal.
O seu caso marcante durou sete anos, com julgamentos em dois estados, uma reversão num deles e um novo julgamento que terminou de forma confusa em Nova Iorque no ano passado.
Em 31 de outubro, mais de oitenta mulheres fizeram denúncias contra Weinstein. As acusações provocaram o início da campanha #MeToo, nos meios de comunicação social.
Em outubro de 2017, após ter sido acusado de cometer abusos sexuais, Weinstein foi afastado da empresa que criou a Weinstein Company e expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
Weinstein foi condenado, depois, por forçar uma mulher a ter sexo oral, absolvido de ter forçado outra mulher a realizar sexo oral, e o júri não decidiu sobre uma acusação de violação envolvendo uma terceira mulher, uma acusação que os procuradores prometeram levar a julgamento novamente.
No início, o conhecido produtor de cinema, agora com 73 anos, pediu desculpa pela forma como se comportou "no passado", ao mesmo tempo que negava ter tido sexo com as mulhres que o acusavam.
No julgamento, os advogados de Weinstein argumentaram que as mulheres aceitaram voluntariamente as suas investidas na esperança de conseguir trabalho em várias áreas do show business, depois acusaram-no falsamente para obter acordos financeiros e atenção.
O veredicto, em junho passado, surgiu após vários jurados terem tomado a medida incomum de pedir para informar o juiz sobre tensões nos bastidores.
Numa série de trocas de palavras em tribunal parcialmente aberto, um jurado queixou-se de que outros estavam a "evitar" um dos membros do júri; o presidente do júri referiu aos jurados que estavam a "pressionarem verbalmente pessoas" e a falarem sobre o "passado" de Weinstein de uma forma que o jurado considerou imprópria; ainda um terceiro jurado opinou que as discussões estavam a "correr bem".
Mais tarde, o presidente do júri voltou a apresentar-se para se queixar ao juiz de estar a ser pressionado para mudar de opinião, e disse temer pela sua segurança, pois um colega de júri tinha dito que ele o "veria lá fora". O presidente do júri acabou por se recusar a continuar a deliberar.
No tribunal, o juiz Curtis Farber citou o segredo das deliberações em curso e lembrou aos jurados que não divulgassem "o conteúdo ou o teor" das mesmas.
Desde este julgamento, os advogados de Weinstein falaram com o primeiro jurado que se queixou abertamente e com outro que não o fez.
Em declarações sob juramento, os dois disseram que não acreditavam que Weinstein fosse culpado, mas cederam devido à agressividade verbal de outros jurados.
Um dos jurados disse que, depois de um colega jurado insultar a sua inteligência e sugerir que o juiz deveria afastá-la, ficou tão assustada que ligou a dois familiares. Naquela noite, "disse-lhes para virem procurar-me se não recebessem notícias minhas, pois algo não estava certo neste processo de deliberação do júri", afirmou.
Os advogados de Weinstein alegam que as tensões conduziram a ameaças que comprometeram o processo, e que o juiz não as investigou suficientemente antes de negar os repetidos pedidos de nulidade da defesa.
Os procuradores sustentam que o juiz recebeu alegações sobre "casos isolados de interações contenciosas" e que as tratou adequadamente.
Declarac¸oÞes posteriores sob juramento por parte dos jurados são contraditórias, segundo os procuradores, por outros comentários de um dos mesmos membros do júri.
Os procuradores também afirmaram que as preocupações da pessoa a liderar o júri sobre discussões do passado de Weinstein eram vagas e que o tema não estava totalmente proibido.
Espera-se que o juiz responda hoje, podendo anular a condenação, ordenar uma audiência ou considerar o veredicto válido sem nenhuma ação adicional.
Qualquer que seja a sua decisão, poderá, no entanto, ser objeto de recurso.
Entretanto, os procuradores disseram que estão preparados para levar Weinstein novamente a julgamento pelo crime de violação sobre o qual o júri não conseguiu decidir na primavera passada.
Atualmente detido em Nova Iorque, Weinstein também está a recorrer de uma condenação por violação em Los Angeles.
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