Hamas exorta Conselho de Paz de Trump a travar violações de trégua
- 17/02/2026
"Apelamos aos membros do Conselho para que tomem medidas sérias a fim de obrigar a ocupação israelita a pôr fim às suas violações em Gaza, enquanto a guerra de genocídio continua" no território palestiniano, declarou à AFP o porta-voz do movimento islâmico, Hazem Qassem, antes da reunião inaugural do Conselho de Paz prevista para quinta-feira em Washington.
O Conselho de Paz foi inicialmente concebido para supervisionar a trégua e a reconstrução do território palestino após a guerra entre Israel e o Hamas, mas a sua carta atribui-lhe um objetivo muito mais amplo, concorrente ao da ONU, que é a resolução de conflitos armados no mundo.
Por seu turno, o chefe da diplomacia israelita, Gideon Saar, anunciou que irá representar Israel na quinta-feira em Washington na reunião inaugural.
Saar participará numa reunião ministerial do Conselho de Segurança da ONU em Nova Iorque na quarta-feira e depois irá a Washington, onde "representará Israel" na reunião do «Conselho de Paz», informou o gabinete do ministro num comunicado.
O primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, que se reuniu com Donald Trump a 11 de fevereiro em Washington, não irá à reunião, embora tenha ratificado a participação de Israel no Conselho de Paz, sem esperar pela cerimónia oficial, de acordo com os seus serviços.
Antes da reunião de quinta-feira, o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, apelou aos membros do «Conselho de Paz» para que «tomem medidas sérias para obrigar a ocupação israelita a pôr fim às suas violações em Gaza, enquanto a guerra de genocídio continua» no território.
O movimento islâmico também apelou ao Conselho de Paz para que trabalhe no sentido de permitir que o Comité Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), encarregado de gerir provisoriamente o território, "inicie os seus trabalhos".
Quase diariamente e apesar da trégua, Israel bombardeia ou dispara contra palestinianos que, alega, se aproximam demasiado das tropas posicionadas na "linha amarela", uma demarcação não explicitamente definida onde continuam destacadas e a partir da qual mantêm ainda o controlo militar de mais de metade do enclave.
O número de habitantes de Gaza mortos por ataques israelitas desde a entrada em vigor da trégua ultrapassou no domingo os 600.
No total, desde que Israel iniciou a sua ofensiva em Gaza, em retaliação pelos ataques do Hamas em outubro de 2023, mais de 72.000 palestinianos morreram em ataques israelitas -- entre os quais mais de 20.000 crianças -- e mais de 171.700 ficaram feridos, muitos com amputações e lesões permanentes, segundo dados do Ministério da Saúde do Governo do Hamas no enclave palestiniano.
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