Hamas e presidência palestiniana apoiam comité de governação de Gaza
- 14/01/2026
Num comunicado divulgado no final de uma reunião no Cairo, o movimento islamita Hamas, a presidência da Autoridade Palestiniana e também o grupo Jihad Islâmica afirmaram "apoiar os esforços dos mediadores para a formação do comité nacional palestiniano transitório".
Noutro comunicado, citado pela agência de notícias oficial Wafa, a presidência palestiniana, com sede em Ramallah, expressou também o apoio a este órgão, o que, de acordo com uma fonte da presidência, "reflete a posição da Fatah", partido liderado pelo Presidente palestiniano, Mahmud Abbas.
O Egito anunciou um consenso sobre os nomes dos 15 membros do comité tecnocrático palestiniano que vai administrar a Faixa de Gaza, nos termos do plano do Presidente norte-americano, Donald Trump.
"Esperamos que, após este acordo, o comité seja anunciado em breve [...] e posteriormente destacado para a Faixa de Gaza para gerir a vida quotidiana e os serviços essenciais", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio, Badr Abdelatty, após conversações sobre o tema no Cairo.
A formação do comité está prevista no plano de paz de Trump e cuja primeira fase incluiu um cessar-fogo que entrou em vigor em outubro de 2025, após dois anos de guerra entre o grupo extremista Hamas e Israel.
A causa próxima do conflito foi o ataque do Hamas no sul de Israel em 07 de outubro de 2023, que causou cerca de 1.200 mortos e 251 reféns, cuja devolução estava prevista no acordo de cessar-fogo. Falta a devolução do corpo de um dos reféns.
A retaliação israelita provocou mais de 71.400 mortos, bem como a destruição da Faixa de Gaza.
O programa de 20 pontos apresentado em outubro pelo Presidente norte-americano prevê que o comité de transição governe o território palestiniano sob a supervisão de um Conselho da Paz, presidido por Trump.
Uma delegação do Hamas e mediadores egípcios reuniram-se no Cairo para trabalhar na formação do comité e analisar os respetivos mecanismos operacionais, disseram fontes do grupo palestiniano à agência de notícias France-Presse (AFP).
Estavam também previstas discussões com dirigentes de outros movimentos palestinianos, como a Jihad Islâmica, a Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), o Movimento de Reforma Democrática no seio da Fatah, a Frente Popular para a Libertação da Palestina - Comando-Geral (FPLP-CG), a Iniciativa Nacional Palestiniana (INP) e os Comités de Resistência Popular (CRP).
Além da composição do comité e do nome do futuro presidente deste órgão, as negociações abrangem o "acordo de cessar-fogo à luz das violações israelitas" em Gaza, disse uma das fontes do Hamas.
Após o acordo final, Abbas deverá publicar um decreto oficial para estabelecer o comité, acrescentou a fonte.
Para a liderança do órgão, circulam os nomes de Ali Shaath, antigo vice-ministro do Planeamento da Autoridade Palestiniana, e de Maged Abu Ramadan, atual ministro da Saúde e antigo presidente da câmara de Gaza.
O Hamas tem reiterado que não procura desempenhar um papel na futura governação do enclave, que controla desde 2007.
As conversações no Cairo abordaram ainda a retirada das forças israelitas de Gaza, a reabertura da passagem de Rafah, na fronteira com o Egito, e a entrada da ajuda humanitária.
As operações do Conselho da Paz no terreno deverão ser dirigidas pelo diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, antigo enviado das Nações Unidas para o processo de paz no Médio Oriente.
Trump deverá anunciar nos próximos dias os restantes membros do conselho, que poderá integrar cerca de 15 líderes internacionais.
Leia Também: Associação acusa Israel de violência reprodutiva contra palestinianas













