"Há um momento de avaliação, que não é este. Este é um momento de ação"
- 02/02/2026
O ministro da Presidência, António Leitão Amaro defendeu as declarações da ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, considerando que a governante não admitiu que houve falhas, sem saber quais foram, na gestão da depressão Kristin.
"O que a ministra diz, e acho que todos partilhamos, é que a situação é brutalmente complexa. É uma tempestade sem precedentes", afirmou em entrevista à CNN Portugal. "Também diz que há um momento de avaliação - que não é este. Este é um momento de ação, este é o momento de respostas", acrescentou.
Questionado sobre a postura da ministra ao longo dos últimos dias, e da forma como Maria Lúcia Amaral tem comunicado com o país, Leitão Amaro considerou que não fazia parte da sua função avaliar o trabalho de outros ministros.
"Eu tenho como função, como os outros membros do Governo, executar, ajudar as pessoas, resolver. A comunicação é um aspeto importante, mas comentar e comunicar sobre a comunicação, sinceramente, não acho que seja o meu papel principal", afirmou, recusando elaborar mais sobre o assunto.
Leitão Amaro admitiu apenas: "Se eu acho que a comunicação deve ser clara e nós devemos mostrar às pessoas o que é que estamos a fazer e a dar os alertas sobre o grave do que aqui vem? Sim, devemos ser claros. E nós fazemos um esforço todos os dias para comunicar cada vez melhor".
O ministro continuou a defender o trabalho da sua colega no Executivo de Luís Montenegro deixando claro que "não estar a comunicar" ou "não estar no terreno" não significa que "não se está a fazer nada".
Há um trabalho de gestão, nomeadamente dos meios que são necessários ter no terreno, que "não se faz à frente das câmaras, nem se faz a comunicar" para o país.
"O mais trágico é que as pessoas perderam a vida"
Ainda no tema da comunicação, Leitão Amaro comentou também a formulação de uma frase do primeiro-ministro, proferida na noite de domingo.
Na citação, que desde então viralizou, Luís Montenegro refere-se às vítimas mortais da depressão como "aqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida".
O ministro da Presidência desvalorizou a questão, notando que Montenegro foi "o primeiro político português" a exprimir as suas condolências às famílias das vítimas mortais.
"O mais trágico disto tudo é que as pessoas perderam a vida e neste momento são 10. E é o que nos entristece a todos acima de tudo", notou, frisando que o restante não é de relevo.
Vídeo? Leitão Amaro admite que "não devia ter acontecido"
O próprio governante esteve também envolvido numa polémica quanto à forma de comunicar quando, no passado dia 29, foi publicado um vídeo na sua conta pessoal nas redes sociais. Nas imagens aparecia num gabinete, em vários momentos, a mostrar-se a gerir a intempérie que se abateu sobre o território nacional.
"Apenas no dia 30, no dia a seguir à publicação do vídeo, vi que o vídeo estava publicado e percebi qual é que era a interpretação que estava a gerar. E mandei imediatamente apagar", contou.
O ministro disse compreender o porquê de as imagens terem gerado tanto descontentamento de quem viu.
"O que era um exercício normal noutra circunstância, de mostrarmos o outro lado do trabalho que estamos a fazer - muitas pessoas até dizem que é saudável - naquela situação teve uma interpretação legítima. Não estou a acusar o intérprete, estou a dizer que não devia ter acontecido e, portanto, mandei o apagar", afirmou.
Sobre o facto de o vídeo ter uma marca de água com o seu nome, Leitão Amaro explicou ainda: "Porque é publicado na minha conta".
Recorde-se que dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados. Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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