Guterres alerta para "colapso financeiro iminente" da ONU
- 30/01/2026
A carta, obtida pela agência de notícias France-Presse (AFP), apelou aos países-membros para que "honrem integral e atempadamente as obrigações de pagamento" ou para que "revejam minuciosamente as regras financeiras" da organização.
Com hostilidade ao multilateralismo defendido pela ONU, os Estados Unidos reduziram, nos últimos meses, o financiamento a certas agências das Nações Unidas e recusaram ou atrasaram certos pagamentos obrigatórios.
"A decisão de não honrar as contribuições obrigatórias que financiam uma parte significativa do orçamento regular aprovado foi oficialmente anunciada", lamentou António Guterres, na missiva, sem especificar a que Estado ou Estados se referia.
Essas lacunas no orçamento aprovado obrigam a organização a congelar contratações, atrasar pagamentos ou reduzir missões.
"A trajetória atual não é sustentável. Ela expõe a organização a riscos financeiros estruturais e impõe uma escolha brutal: ou os Estados-membros concordam com uma revisão completa das nossas regras financeiras, ou devem aceitar a perspetiva muito real de um colapso financeiro", escreveu António Guterres.
Portugal integra já a "Lista de Honra de 2026" das Nações Unidas, uma vez que fez a contribuição integral das obrigações para o orçamento regular da ONU deste ano.
Para constarem na Lista de Honra deste ano, os Estados-membros devem efetuar a contribuição integral para o Orçamento Regular da ONU até 08 de fevereiro de 2026, tal como já fez Portugal.
A ONU enfrenta uma grave crise financeira, tendo sido severamente afetada por cortes de financiamento do maior doador, os Estados Unidos, após a posse de Donald Trump como Presidente, em janeiro de 2025.
Apesar da carga de trabalho da ONU aumentar de ano para ano, os recursos estão a diminuir em todos as áreas. Além disso, nem todos os Estados-membros pagarem na totalidade as obrigações anuais e muitos também não pagarem a tempo.
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