Gronelândia? Nuno Melo espera que "aliados se comportem como aliados"
- 06/01/2026
"A Gronelândia é uma região autónoma da Dinamarca, goza de uma larga autonomia, mas tem como chefe de Estado a rainha da Dinamarca. E o destino da Gronelândia pertence ao povo da Gronelândia e ao povo dinamarquês. Recordaria até que a Dinamarca é um país membro da União Europeia e país fundador da NATO, do lado de Portugal. E, por isso, aquilo que se espera é que o direito internacional seja sempre cumprido e que os aliados se comportem como aliados", disse à margem da visita ao polo do Porto do Hospital das Forças Armadas.
Questionado sobre as declarações da primeira-ministro dinamarquesa, Mette Frederiksen, que apelou aos Estados Unidos para que pare com as ameaças, Nuno Melo repetiu a resposta quanto ao comportamento que se espera dos países aliados.
"O que se espera, porque é o normal, é que o futuro da Gronelândia esteja nas mãos do seu povo e do povo dinamarquês. A Dinamarca é um país membro da União Europeia e fundador da NATO, a par de Portugal", insistiu.
Sobre a situação dos portugueses na Venezuela, após o ataque dos EUA, na madrugada de sábado, para deter o Presidente Nicolás Maduro e a esposa, o ministro afirmou esperar "que o Estado português não tenha que fazer nada".
"O que nós desejamos é que, tendo em conta o atual contexto geopolítico e a situação que é conhecida na Venezuela, que possamos caminhar para a democracia, sendo certo que Nicolás Maduro não era reconhecido, do ponto de vista da legitimidade internacional, como representante de pleno direito da Venezuela", acrescentou.
Questionado sobre a reunião, na quarta-feira, com o Comissário Europeu para a Defesa e Espaço, Andrius Kubilius, e quais os assuntos que irão tratar, Nuno Melo respondeu: "naturalmente que, quando está presente em Portugal um Comissário [Europeu] da Defesa, o contexto geopolítico e o esforço em curso em Portugal, no sentido da modernização das Forças Armadas, valorizando a condição militar, dignificando essas Forças Armadas, serão certamente temas em cima da mesa".
O ministro da Defesa deu ainda nota que o comissário "visitará várias instituições das Forças Armadas, relacionadas também com a NATO".
"Diria que é uma visita normal num contexto sensível", sintetizou Nuno Melo.
Na nota de imprensa a que a Lusa teve acesso lê-se que o comissário reunirá com Nuno Melo para debater a prontidão da defesa europeia, a implementação do Instrumento de Ação para a Segurança da Europa (SAFE) e o reforço do apoio à Ucrânia.
Andrius Kubilius participará, depois, no Seminário Diplomático 2026 organizado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel. Juntamente com o Ministro Nuno Melo e a Secretária-Geral Adjunta da OTAN, Radmila Shekerinska, o Comissário abordará o futuro da defesa europeia, detalha ainda o comunicado.
À tarde, acompanhado pelo Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, o Comissário visitará o Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEiiA), um dos principais investidores portugueses em investigação e desenvolvimento que desenvolve produtos inovadores em indústrias como a aeronáutica, a mobilidade e o espaço, lê-se ainda.
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