Gronelândia estará coberta por cláusula de defesa mútua. "Em princípio"
- 15/01/2026
"A Gronelândia faz parte do território do Reino da Dinamarca e, portanto, em princípio, está abrangida pela cláusula de solidariedade mútua do artigo 42.7.º do Tratado. No entanto, atualmente, a questão não se coloca", afirmou Anitta Hipper, porta-voz da chefe da diplomacia comunitária, Kaja Kallas.
O artigo 42.º, n.º 7, do Tratado da UE estabelece que, se um país da União for objeto de uma agressão armada no seu território, os outros Estados-membros devem prestar-lhe ajuda e assistência "com todos os meios ao seu alcance".
Em Limassol, Chipre, para onde o Colégio de Comissários Europeus viajou hoje por ocasião do início da presidência cipriota do Conselho da UE, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, garantiu que a Gronelândia pode contar com a UE "política, económica e financeiramente" face às ameaças do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tomar o controlo da ilha, inclusivamente pela força.
A chefe do executivo comunitário também sublinhou que o Ártico e a sua segurança são "questões fundamentais" para os 27.
Numa conferência de imprensa, Von der Leyen enfatizou que as discussões sobre a segurança do Ártico são uma questão que deve ser tratada principalmente na NATO, mas indicou que a UE continuará a trabalhar nisso "com todos os seus parceiros", entre os quais incluiu explicitamente os Estados Unidos.
Von der Leyen explicou que a Comissão Europeia propôs duplicar o apoio à Gronelândia no seu projeto de orçamento para o período 2028-2034, apresentado meses antes do início das ameaças de Trump ao território, e considerou que a UE "tem uma boa reputação" na ilha ártica e conta com uma excelente cooperação com as suas autoridades.
"Por isso, continuaremos o nosso trabalho em relação à segurança do Ártico com os nossos aliados e parceiros, incluindo os Estados Unidos", precisou.
A Gronelândia, ilha situada entre o Atlântico Norte e o Oceano Ártico, é um território autónomo da Dinamarca, rica em petróleo e terras raras e com uma população de cerca de 50.000 habitantes.
A ilha saiu da então Comunidade Europeia em 1985, embora a Dinamarca tenha permanecido.
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