Gronelândia. "Ameaças não vão levar Dinamarca a ceder"
- 20/01/2026
Num debate no Parlamento Europeu (PE) sobre a "necessidade de uma resposta unida da União Europeia (UE) às tentativas de chantagem dos Estados Unidos" sobre a ilha, Kaja Kallas salientou que os EUA, a Dinamarca e a Gronelândia têm "estado envolvidos em negociações diretas".
"É isso que aliados responsáveis fazem", sublinhou.
"Mas o tom dessas conversas é importante, assim como as ameaças feitas à margem. Deixem-me ser muito clara: as ameaças não vão pressionar a Dinamarca a ceder a Gronelândia, só correm o risco de tornar a Europa e os Estados Unidos mais pobres e de minar a nossa prosperidade comum", avisou.
A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança salientou que o bloco "não tem interesse em entrar em conflito", mas vai "manter-se firme".
"A Europa dispõe de um conjunto de instrumentos para proteger os seus interesses", advertiu Kallas, acrescentando que "a Gronelândia pertence ao seu povo" e "nenhuma ameaça ou tarifa irá mudar isso".
"A soberania não está à venda", disse, recebendo um aplauso dos eurodeputados.
Kaja Kallas reconheceu que a região do Ártico é "uma nova fronteira de competição geopolítica", mas salientou que, "se há preocupações quanto à segurança da Gronelândia, devem ser abordadas no âmbito da NATO".
"Na última semana, um conjunto de países europeus enviou militares para uma missão de reconhecimento à Gronelândia. A sua presença tem como objetivo manter a região segura, previsível e estável. Não representa nenhuma ameaça para ninguém", afirmou.
Perante o que disse ser "a ameaça crescente da presença da China e a Rússia no Ártico", Kallas disse que a resposta da UE, em conjunto com seus parceiros, "deve ser realística, baseada em princípios e guiada pelo direito internacional".
"Nenhum país tem o poder de apoderar-se do território de outro país. Nem na Ucrânia, nem na Gronelândia, nem em qualquer parte do mundo", defendeu, ouvindo novamente aplausos.
A chefe da diplomacia europeia salientou que o aumento das temperaturas na região do Ártico "é cerca de três a quatro vezes mais elevado" do que no resto do mundo e salientou que "o aquecimento global, a degradação ambiental e os riscos de segurança não param nas fronteiras".
"Nenhum país pode responder a estas ameaças sozinho. Uma ordem internacional baseada em regras e uma cooperação multilateral efetiva é essencial, não é opcional", sustentou.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou tomar a Gronelândia (território autónomo da Dinamarca, um país da NATO e da UE) pela força se Copenhaga não aceitar vender a ilha a Washington, alegando que é fundamental para a segurança dos Estados Unidos devido à atividade da Rússia e da China na região.
Face às ameaças, a Dinamarca e sete parceiros europeus enviaram no fim de semana tropas para exercícios de defesa da Gronelândia e do Ártico, que levaram Trump a fazer novas ameaças, desta vez com tarifas alfandegárias.
[Notícia atualizada às 15h25]
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