Gronelândia admite mais forças da NATO mas descarta "resistência" aos EUA
- 13/01/2026
"Estamos profundamente preocupados com as ameaças americanas de comprar ou anexar a Gronelândia, e isso está a tirar o sono ao nosso povo", admitiu a ministra dos Negócios, Recursos Naturais, Energia, Justiça e Igualdade de Género, Naaja Nathanielsen, numa conferência de imprensa em Londres.
A governante sublinhou que a Gronelândia não pretende tornar-se parte dos Estados Unidos, apesar de se considerar aliada de Washington.
"Não temos qualquer intenção de tornarmo-nos americanos. Somos aliados, mas não nos vemos como americanos", explicou Nathanielsen, que acrescentou sentir-se "traída" pela retórica do Governo norte-americano, que classificou como agressiva e injustificada.
"Não fizemos nada para apoiar a ideia de que a Gronelândia faz parte dos interesses dos Estados Unidos. Não é algo que mereçamos, nem algo que prevíssemos", disse a ministra.
Apesar disso, Nathanielsen mostrou abertura para dialogar com o Governo do Presidente Donald Trump sobre o reforço da segurança da ilha e sobre investimentos norte-americanos nos setores mineiro e energético, com exceção do urânio.
Nathanielsen defendeu, no entanto, que a prioridade do governo groenlandês passa pelo reforço da presença da NATO, tanto com tropas norte-americanas como europeias.
"A NATO trouxe paz e estabilidade à Gronelândia, e preferimos claramente essa via", reconheceu a ministra, que ao ser questionada sobre a possibilidade de resistência armada em caso de invasão afastou essa hipótese.
Sobre as aspirações independentistas, Nathanielsen afirmou que não estão na agenda política imediata.
"Estamos bastante satisfeitos por fazer parte do Reino da Dinamarca", disse a ministra, admitindo apenas que uma eventual separação poderá ser discutida num horizonte de muito longo prazo.
Naaja Nathanielsen minimizou ainda a ideia de que a Gronelândia esteja sob forte influência económica da Rússia ou da China, referindo que os investimentos desses países, tal como os dos Estados Unidos, são atualmente quase inexistentes.
A governante manifestou, contudo, disponibilidade para abrir a economia a oportunidades de negócio, caso Washington o deseje.
Nathanielsen salientou que as intenções concretas dos Estados Unidos deverão ficar mais claras após a reunião marcada para quarta-feira em Washington, entre o ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, a conselheira de Negócios Estrangeiros da Gronelândia, Vivian Motzfeldt, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e o vice-presidente norte-americano, JD Vance.
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