Grécia. Sobreviventes do naufrágio com 15 mortos culpam a Guarda Costeira
- 09/02/2026
Segundo avança hoje o jornal grego Efsyn, estas acusações foram feitas por vários dos 24 migrantes sobreviventes perante um tribunal, no âmbito de uma investigação às causas do acidente de 03 de fevereiro, na costa de Chios, uma ilha grega situada a poucos quilómetros da costa turca.
"Todas as testemunhas interrogadas pelo juiz afirmaram que a Guarda Costeira foi responsável pela colisão", disse um dos dois advogados de defesa de um marroquino que sobreviveu e foi acusado e mantido sob custódia por alegado tráfico humano e por causar um naufrágio, Alexis Georgoulis.
"Todos garantiram que não houve qualquer sinal ou aviso" por parte da lancha de patrulha, acrescentou o segundo advogado de defesa, Dimitris Julis, num depoimento no tribunal de Chios.
De acordo com este advogado, as testemunhas referiram que o barco insuflável em que seguiam não fez qualquer manobra brusca, como foi apontado pelas autoridades gregas, tendo, aliás, assegurado que o barco ia em linha reta, "sem virar nem por um segundo".
Estes testemunhos contradizem a versão apresentada pela Guarda Costeira da Grécia poucas horas após o naufrágio, num comunicado em que afirma que o bote "não obedeceu aos sinais luminosos e sonoros [da lancha de patrulha] e inverteu o rumo, colidindo depois com a embarcação da Guarda Costeira pelo lado estibordo".
Pelo menos 15 pessoas morreram no acidente, incluindo um rapaz de 12 anos e quatro mulheres, enquanto outras 24, a maioria afegãs, ficaram feridas e foram hospitalizadas.
Dos feridos, oito permanecem hospitalizados em Chios, dois dos quais em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), informou um porta-voz da Guarda Costeira, citado pela agência de notícias espanhola Efe.
Além disso, segundo a mesma fonte, seis menores com ferimentos ou fraturas nos membros superiores ou na coluna vertebral foram transportados de helicóptero no fim de semana para o Hospital Infantil de Atenas, acompanhados por outros três sobreviventes, pais de algumas das crianças.
Entretanto, o marroquino de 31 anos acusado de ser o traficante e condutor da embarcação negou as acusações perante o juiz e declarou-se inocente.
"Ele afirma que também foi transportado e nega que estivesse a pilotar a embarcação", sublinhou Georgoulis, que indicou que o magistrado recebeu pelo menos seis depoimentos de vários sobreviventes que contradizem a identificação do arguido como traficante ou condutor.
Outra questão que levanta dúvidas sobre a versão oficial é que a única câmara a bordo da lancha de patrulha estaria desligada e, por isso, não poderia ter gravado o incidente.
O comandante da lancha da Guarda Costeira grega testemunhou perante o juiz que a câmara é térmica e é utilizada apenas para detetar alvos a longas distâncias, pelo que não está equipada com cartão de gravação.
Logo a seguir ao acidente, o ministro dos Assuntos Marítimos, Vassilis Kikilias, garantiu que a investigação às circunstâncias do acidente seria conduzida "com transparência e profissionalismo".
Nos últimos anos, a Grécia tem sido acusada por organizações de defesa dos direitos humanos e por meios de comunicação social, com provas em vídeo, de expulsões ilegais de migrantes para a Turquia.
A perigosa travessia entre a costa turca e as ilhas gregas do Mar Egeu é a causa de frequentes naufrágios fatais nesta região.
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