Governo pede (novo) adiamento do debate quinzenal com Montenegro
- 12/02/2026
Face a este pedido do Governo, José Pedro Aguiar-Branco vai agora consultar os partidos com representação parlamentar sobre a possibilidade de se encontrar uma nova data para o debate quinzenal da Assembleia da República, que já tinha sido adiado de quarta-feira para sexta-feira.
Na quarta-feira, também devido à situação na região de Coimbra, atingida por inundações, os partidos, por consenso, após uma reunião da conferência de líderes extraordinária, remarcaram o debate quinzenal para sexta-feira às 10:00. Uma decisão que possibilitou que Luís Montenegro se deslocasse às zonas do rio Mondego atingidas pelas inundações, juntamente com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Agora, o Governo considera que se assistiu a um novo agravamento substancial das condições meteorológicas extremas após a reunião da conferência de líderes de quarta-feira à tarde - altura em que se decidiu remarcar o debate para sexta-feira, às 10h00.
O Governo alega que na região de Coimbra há neste momento milhares de pessoas desalojadas e a autoestrada Lisboa/Porto está interrompida devido à rutura de um dique no rio Mondego. Por outro lado, ainda no domínio dos transportes, aponta-se que está também interrompida a circulação ferroviária na Linha do Norte.
Perante este quadro, o Governo entende que não se encontram reunidas as condições para a realização do debate quinzenal no parlamento, já que o primeiro-ministro, entre outras razões, tem necessidade de estar no terreno, no acompanhamento direto da situação.
Os partidos terão agora de conferir unanimidade à decisão de remarcar, pela segunda vez, o debate quinzenal com Luís Montenegro na Assembleia da República.
Na quarta-feira, a Iniciativa Liberal foi a única bancada do parlamento que se opôs à remarcação do debate quinzenal de quarta para sexta-feira, considerando que nesta semana o país ainda estará sob más condições meteorológicas, com chuvas intensas e persistentes, com consequências graves em termos de inundações. Foi o que se passou, precisamente, a partir de quarta-feira à tarde em Coimbra.
Em comunicado, divulgado ainda na manhã de quarta-feira, a Iniciativa Liberal defendeu que o debate quinzenal com o primeiro-ministro devia ser adiado para "um momento de menor aflição das populações" e considerou "não fazer sentido que se marque para sexta-feira para depois adiar-se novamente", uma vez que a situação em Coimbra podia não ser resolvida.
"Em momentos exigentes, espera-se dos responsáveis políticos sentido de Estado e prioridade ao país. O parlamento deve estar à altura das circunstâncias nacionais e neste momento o primeiro-ministro tem de estar ao lado dos portugueses no terreno", escreveram os liberais no mesmo texto, acrescentando que "este é o momento de coordenação política e operacional, não de confronto parlamentar".
Porém, a posição da Iniciativa Liberal foi contestada sobretudo pela esquerda parlamentar, com o Livre, PS e PCP a rejeitarem que o debate com a presença do primeiro-ministro fosse adiado para a próxima semana.
Perante os jornalistas, o presidente do Grupo Parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, frisou que a Assembleia da República é um órgão de soberania, lembrou que se reuniu durante a pandemia da covid-19 com o país em estado de emergência e manifestou-se um "adiamento indefinido" do debate quinzenal com a presença do primeiro-ministro.
[Notícia atualizada às 10h08]
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