Governo nigeriano culpa grupo Boko Haram por ataque que matou 175 pessoas
- 05/02/2026
Os líderes locais disseram que o ataque fez pelo menos 175 mortos, de acordo com a agência de notícias EFE.
Num comunicado divulgado na noite de quarta-feira, a Presidência da Nigéria informou que o presidente do país, Bola Ahmed Tinubu, ordenou o envio de um batalhão do exército para Kwara, onde "terroristas do Boko Haram assassinaram residentes indefesos na noite passada (terça-feira)".
Tinubu afirmou que o batalhão vai liderar a "Operação Escudo da Savana" para "deter os terroristas bárbaros e proteger as comunidades indefesas", segundo o comunicado, assinado pelo conselheiro especial do presidente para a Informação e Estratégia, Bayo Onanuga.
O presidente condenou o "ataque cobarde e brutal" e manifestou a sua indignação pelas mortes dos habitantes locais, "que rejeitaram a tentativa odiosa de doutrinação dos atacantes e optaram por praticar o Islão, que não é extremista nem violento".
"É louvável que os membros da comunidade, apesar de serem muçulmanos, tenham-se recusado a ser recrutados por uma crença estrangeira que promove a violência em vez da paz e do diálogo", declarou o presidente, sem especificar o número de vítimas.
"Até ao momento, recuperámos 175 corpos. Muitos deles foram encontrados na floresta durante uma busca realizada por jovens e agentes de segurança", disse Khaleed Abba, líder comunitário de Woro, à EFE por telefone na noite de quarta-feira.
"Algumas das vítimas tinham as mãos amarradas atrás das costas, o que significa claramente que foram capturadas e amarradas antes de serem executadas. Os atacantes entoavam cânticos jihadistas enquanto atacavam os moradores. Muitas pessoas ainda estão desaparecidas, incluindo mulheres e crianças", enfatizou Abba.
O porta-voz da polícia estadual, Adetoun Ejiire-Adeyemi, confirmou os ataques à EFE, mas sublinhou que as forças de segurança não podem fornecer um número de vítimas neste momento.
No entanto, o governador de Kwara, Abdulrahman Abdulrazaq, que visitou os líderes tradicionais das comunidades afetadas, afirmou na rede social X que "pelo menos 75 muçulmanos locais foram massacrados a sangue frio simplesmente por se recusarem a render-se a extremistas que pregam uma doutrina estranha".
A insegurança na região foi agravada pela atividade do Boko Haram no nordeste do país e, desde 2016, pelo seu grupo dissidente, o Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP).
O Boko Haram e o ISWAP mataram mais de 35 mil pessoas --- muitas delas muçulmanas --- e deslocaram cerca de 2,7 milhões de pessoas, principalmente dentro da Nigéria, mas também em países vizinhos como os Camarões, o Chade e o Níger, de acordo com dados do Governo e da ONU.
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