Governo argentino anuncia queixa por terrorismo após confrontos no Senado
- 13/02/2026
"Atacar o Parlamento e agredir as forças de segurança constitui um crime grave contra a ordem constitucional", afirmou, na rede social X, o chefe do gabinete de ministros, Manuel Adorni.
"O governo apresentou queixa por terrorismo contra os responsáveis pelos ataques", disse.
Pouco antes, a ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, tinha defendido futuras queixas: "Foi muito mais do que uma infração. (...) Vamos apresentar queixa por terrorismo, porque um coquetel Molotov é uma bomba, uma arma cuja intenção não é apenas provocar a morte, mas também o caos", afirmou na Rádio Mitre.
O Código Penal argentino não prevê uma infração ou o crime específico de "terrorismo", mas considera-o uma circunstância agravante se for cometido "com o objetivo de aterrorizar a população".
Esta circunstância, a confirmar-se, permite agravar a pena, dependendo da gravidade do crime, até prisão perpétua.
Na quarta-feira, enquanto o Senado debatia uma reforma que visava a desregulamentação do mercado de trabalho, um projeto-chave do presidente ultraliberal Javier Milei, ocorreram breves, mas violentos confrontos entre alguns grupos de manifestantes contra ao pacote legislativo e a polícia, com pedras e coquetéis Molotov contra gás lacrimogenio, balas de borracha e canhões de água.
A manifestação, convocada pela grande central sindical CGT, acabou por ser cancelada antes mesmo de ter realmente começado. E mais de trinta pessoas foram detidas no final dos confrontos, mas, segundo as palavras da ministra, não seriam o alvo das queixas.
Os seus serviços estão a "consolidar a informação", com base em imagens, e 17 pessoas já foram identificadas, declarou a ministra Monteoliva. "Vamos atrás deles e colocá-los em detenção", afirmou no X.
Várias fotos, com nomes e rostos de manifestantes claramente identificáveis, apareceram hoje na mensagem da ministra no X e na imprensa.
Na madrugada de quarta-feira, o Senado finalmente aprovou o projeto de reforma laboral, após algumas alterações concedidas pelo executivo. Agora, cabe à Câmara dos Deputados analisá-lo, nas próximas semanas.
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