Gouveia e Melo manifesta-se angustiado com riscos "de um mau Presidente"
- 14/01/2026
Gouveia e Melo assumiu estas posições em declarações aos jornalistas, após ter visitado hoje de manhã o mercado de Alvalade, em Lisboa, que estava quase sem clientes.
O ex-chefe do Estado-Maior da Armada voltou a desvalorizar as sondagens que o colocam fora de uma segunda volta das eleições presidenciais, mas dramatizou quando deixou a seguinte mensagem: "Estou verdadeiramente angustiado com o que se passa, porque acho que podemos correr o risco de escolher um mau Presidente da República".
"E é isso que eu ponho na consciência dos portugueses. Quando falam em voto útil, por favor, não pensem em partidos", apelou.
Deixou a seguir uma farpa que, aparentemente, foi dirigida ao seu adversário António José Seguro: "As pessoas não devem confundir pose com a substância que é necessária na nova Presidência da República".
Interrogado sobre a possibilidade de o eurodeputado liberal passar à segunda volta das eleições presidenciais, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada voltou a atacar o neoliberalismo e defendeu uma economia com consciência social.
Criticou, depois, a iniciativa do seu adversário Cotrim Figueiredo de escrever ao presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro. Viu mesmo nessa atitude do eurodeputado liberal um dos riscos de Portugal ter um chefe de Estado com esse perfil.
"Não vou escrever cartas a primeiros-ministros para dizer que estou alinhado, porque isso mostra uma subserviência que não é boa na Presidência da República. O Presidente da República tem de ser verdadeiramente independente. Um Presidente não começa a dizer ao primeiro-ministro: eu vou ser subserviente", acentuou.
Gouveia e Melo também comentou indiretamente as sondagens que colocam o presidente do Chega em primeiro lugar nas eleições de domingo.
"Não desperdicem o voto em quem não quer ser Presidente, na verdade. Esse sim [André Ventura] está numa lógica totalmente partidária, sem sequer ter o objetivo real da presidência", sustentou.
Em relação ao presidente do Chega, o almirante voltou a manifestar a sua convicção de que não vencerá as eleições presidenciais, mesmo que passe a uma segunda volta.
Porém, se vencesse, de acordo com Gouveia e Melo, "havia sérios riscos de existir uma mudança revolucionária, com uma rutura constitucional", colocando em causa a democracia.
Nas declarações que fez aos jornalistas, o almirante procurou deixar ainda outra mensagem, segundo a qual, se passar à segunda volta das eleições presidenciais e depois as vencer, nenhum partido será derrotado, porque ele é independente.
"Os portugueses vão ter de votar em consciência. E o apelo ao voto útil é o apelo no voto da mudança. Sou dos poucos candidatos, na verdade, que, se pensarem bem, pode passar à segunda volta. A minha passagem à segunda volta não significa a derrota de nenhum partido", alegou.
Gouveia e Melo voltou a frisar que é independente e que está "fora das lógicas partidárias".
"A minha passagem significa a vitória de uma mudança e de uma tentativa de alterar o sistema, não para uma coisa pior, porque sou uma pessoa moderada e equilibrada, mas sem lógicas partidárias", prometeu.
O ex-chefe de Estado-Maior da Armada reiterou os seus avisos sobre as consequências de Portugal eleger um Presidente de fação, já que "essa lógica partidária vai fraturar o país".
"E nós vivemos um momento difícil no plano internacional que vai ter repercussões nacionais. Temos de ter as pessoas bem preparadas para a função. E há gente, na minha muito modesta opinião, que não está preparada para os momentos difíceis que aí se avizinham", acrescentou.
[Notícia atualizada às 11h29]
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