Freguesia em Leiria antecipa aumento da abstenção devido ao mau tempo

  • 08/02/2026

"Hoje, duvido que haja fila", desabafa um dos elementos nas mesas de voto, referindo-se ao impacto do mau tempo que mantém a União de Freguesias de Santa Catarina da Serra e Chainça parcialmente sem eletricidade, 12 dias depois de a depressão Kristin ter atingido a região.

 

Acresce o frio, não obstante o dia soalheiro, que poderá contribuir para a abstenção, sobretudo, de pessoas idosas que evitam deslocar-se, refere.

António Fartaria Ribeiro, de 78 anos, residente na Loureira, que, desde 28 de janeiro, está sem luz, não integra aquela estatística.

"Tinha um gerador velho, conseguimos pô-lo a trabalhar. Dá para o frigorífico e um 'poucachinho' para a cozinha", relata à agência Lusa logo após ter votado, recuando depois ao passado quando eram candeeiros a petróleo que iluminavam as casas de muitos portugueses: "Não havia luz e passávamos sem ela".

Regressado ao presente, declara-se conformado com a situação, porque "não se pode acudir a todos ao mesmo tempo".

E, antecipando o futuro, provavelmente com mais dias sem eletricidade, reconhece que "eles [as empresas responsáveis] não podem fazer milagres" e há prioridades, como "hospitais, creches".

Da mesma freguesia, Rui Rodrigues, de 57 anos, também aguarda pela reposição da eletricidade em casa.

"Sobral não tem luz, mas tenho velas, vou comprar a Fátima, a terra delas", afirma Rui Rodrigues, surpreendido pelo verso improvisado.

Fátima, no concelho de Ourém, dista meia dúzia de quilómetros desta freguesia, que o PS manteve nas autárquicas de outubro último.

"Temos de ter calma, paciência", defende este eleitor, ao sair do Centro Social Paroquial de Santa Catarina da Serra, onde estão as mesas de voto. Chainça, agregada nesta união de freguesias, tem uma mesa de voto.

Considerando que a prestação do Governo na resposta ao mau tempo "foi muito frouxa" - "está muito preocupado com publicidade e muito pouco com ação" - reconhece, contudo, como positivo o apoio quase imediato até 10 mil euros para reconstrução de casas.

E se hoje, ao invés de eleições presidenciais fossem legislativas, garante que o seu sentido de voto seria o mesmo: "Nunca acreditei neste primeiro-ministro e não gosto de extremos na política".

Na rua onde mora, Fátima Oliveira, de 55 anos, cuja casa sofreu danos e "chove lá dentro", a eletricidade chegou no sábado à noite, mas não para iluminar eleitores.

A moradora assegura que, se se tratasse da eleição para a Assembleia da República, o voto "era exatamente o mesmo e não havia voto de protesto".

"A culpa não é do Governo, não é das companhias da eletricidade ou da água", que "estão a fazer o possível e o impossível", sustenta.

Junto ao Centro Social Paroquial, as conversas dos eleitores hoje incluíam telhas, seguros e a pergunta habitual depois do mau tempo: "Como é que vocês ficaram?".

Pela freguesia, onde as marcas do mau tempo subsistem, com árvores tombadas ou postes de eletricidade partidos, é fácil perceber como foi a dança do vento, que poupou umas habitações, mas deixou estragos noutras.

"Tivemos mesmo de fugir", diz Vanessa Alves, de 28 anos, acompanhada pelo companheiro e o bebé de oito meses, cuja casa se mantém sem eletricidade e sem comunicações, e a água regressou oito dias após a depressão Kristin.

A família está temporariamente em casa de familiares, em Alcobaça, de onde saiu hoje de manhã para votar em Santa Catarina da Serra.

"Hoje é um dia importante", salienta Vanessa Alves, mas antevendo que "vai haver abstenção, muita".

À Lusa, o presidente da União de Freguesias, João Rito, considerou que "as pessoas estão a aderir [à votação]".

"Mas, no meu ponto de vista, vamos ter uma taxa de abstenção muito maior em relação às últimas eleições [1.ª volta das presidenciais] derivada da situação que estamos a passar no concelho. Estamos há 12 dias sem luz, há muitas pessoas com muitas dificuldades, há muitas casas ainda danificadas e as pessoas estão preocupadas com outro tipo de situações", observa João Rito.

Admitindo descontentamento entre a população, o autarca sublinha que esse é também "um direito que as pessoas têm".

"Sem água, sem luz, sem comunicações, em terras mais isoladas, começa a tornar-se um bocadinho cansativo para determinadas pessoas", declarou, sobretudo para as que têm pouca saúde.

António José Seguro e André Ventura disputam hoje a segunda volta das eleições presidenciais, depois de na primeira volta o candidato apoiado pelo PS ter conquistado 31% dos votos e Ventura, líder do Chega, obtido 23%.

Catorze pessoas morreram em Portugal desde o dia 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

Leia Também: Água da rede pública da Batalha em condições para consumo humano

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/pais/2935347/freguesia-em-leiria-antecipa-aumento-da-abstencao-devido-ao-mau-tempo#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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