França proíbe 10 britânicos de entrar no país por violência contra migrantes
- 14/01/2026
As proibições, impostas na terça-feira, foram decididas após "várias denúncias de várias partes" sobre a presença de ativistas do movimento britânico 'Raise the Colour' no Canal da Mancha, que liga França ao Reino Unido, explicou o Ministério do Interior francês, em comunicado.
Estes ativistas estariam a destruir "pequenas embarcações" improvisadas e utilizadas pelos migrantes para atravessar o Canal da Mancha até ao Reino Unido, e a realizar "atividades de propaganda (...) dirigidas ao público britânico", acrescentou o ministério.
"O nosso Estado de Direito é inegociável, ações violentas ou que incitem ao ódio não têm lugar no nosso território", sublinhou o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, numa mensagem publicada nas redes sociais.
O 'Raise the Colour' - grupo britânico cujos membros fixam bandeiras em postes de iluminação e defendem fazer justiça pelas próprias mãos contra migrantes - partilha regularmente nas redes sociais informações sobre as suas ações na costa norte de França.
Estas proibições são "absolutamente ofensivas", reagiu o grupo numa mensagem publicada hoje na Internet, acusando Laurent Nuñez de "não fazer absolutamente nada para expulsar os migrantes presentes na região de Calais".
"Estamos tranquilos com esta decisão" contra ativistas que "semeiam a divisão ao visar pessoas extremamente vulneráveis, que estão simplesmente a procurar um refúgio", disse o coordenador do programa para exilados da organização internacional Médicos do Mundo, Paul Alauzy.
Segundo uma porta-voz da associação L'Auberge des Migrants (Albergue dos Migrantes), que falou sob a condição de anonimato à agência francesa de notícias AFP, "a situação foi muito além" das ações descritas pelo Ministério do Interior.
"São pessoas perigosas, algumas já estiveram na prisão e têm ligações a movimentos neonazis", garantiu, acrescentando ter recebido testemunhos de migrantes que sofreram agressões físicas.
Em novembro, um dos fundadores do 'Raise the Colour', Ryan Bridge, filmou-se a si próprio numa transmissão em direto para as redes sociais, a intimidar migrantes que dormiam em tendas nas ruas de Paris.
Nas últimas semanas, o movimento de extrema-direita tinha alertado para uma "grande operação" em França em 2026.
As autoridades francesas abriram uma investigação preliminar sobre a "violência agravada" cometida contra os migrantes na noite de 09 para 10 de setembro em Grand-Fort-Philippe, perto de Dunquerque (norte de França), após uma denúncia feita por uma associação de defesa dos direitos dos migrantes.
Nessa noite, quatro homens empunhando bandeiras britânicas atacaram os migrantes, dizendo-lhes que não eram bem-vindos em Inglaterra. Também roubaram alguns dos pertences dos migrantes, segundo denunciou a coordenadora da associação francesa de ajuda a migrantes e sem-abrigo Utopia 56, Félicie Penneron.
O movimento 'Raise the Colour' negou responsabilidade pelo ataque.
No ano passado, 41.472 migrantes atravessaram com sucesso o Canal da Mancha de França para o Reino Unido em pequenas embarcações, o segundo número mais elevado de sempre, depois do recorde estabelecido em 2022.
Os dois países assinaram, no verão passado, um acordo para tentar conter o fluxo migratório, numa altura em que o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, enfrenta a ascensão do partido anti-imigração Reform UK.
O acordo bilateral estipula o regresso a França dos migrantes que cheguem ilegalmente ao Reino Unido em "pequenas embarcações" em troca do acolhimento, por parte de Londres, dos migrantes que já se encontram em França, numa base de "um por um".
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