França pede demissão da relatora da ONU para os territórios palestinianos
- 11/02/2026
"França condena sem reservas os comentários ultrajantes e condenáveis da senhora Francesca Albanese, que não são dirigidos ao Governo israelita, cujas políticas podem ser criticadas, mas sim a Israel enquanto povo e nação, o que é absolutamente inaceitável", disse Jean-Noël Barrot, numa intervenção no parlamento.
A posição do ministro dos Negócios Estrangeiros surge depois de cerca de 50 eleitos do Renascimento, partido do Presidente Emmanuel Macron, lhe terem dirigido uma carta, na terça-feira, a pedir sanções contra Francesca Albanese e o seu "afastamento de qualquer mandato na ONU com efeito imediato".
Falando por videoconferência no sábado, num fórum organizado em Doha pelo canal qatari Al-Jazeera, Albanese falou de um "inimigo comum" que, considerou, permitiu um "genocídio" em Gaza.
"O facto de que, em vez de parar Israel, a maioria dos países do mundo o tenha armado, lhe dado desculpas políticas, um guarda-chuva político, bem como apoio económico e financeiro, é um desafio", afirmou.
"Nós, que não controlamos um vasto capital financeiro, nem algoritmos, nem armas, agora vemos que, como humanidade, temos um inimigo comum", acrescentou.
Numa publicação nas redes sociais na segunda-feira, Albanese defendeu-se das críticas dizendo que "o inimigo comum da humanidade é O SISTEMA que permitiu o genocídio na Palestina", recorrendo à escrita em letras maiúsculas para enfatizar a mensagem.
Mas, para o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, as declarações de Albanese "acrescentam-se a uma longa lista de posições escandalosas, justificando o 07 de outubro [de 2023], o pior massacre antissemita da nossa história desde o Holocausto, evocando o lóbi judaico ou comparando Israel ao Terceiro Reich".
"É uma ativista política que incita discursos de ódio que prejudicam a causa do povo palestiniano que diz defender e das Nações Unidas. Sob nenhuma circunstância e de forma alguma a senhora Albanese pode falar em nome dele e ela trai o seu espírito", criticou.
Em 07 de outubro de 2023, o grupo extremista palestiniano Hamas conduziu um ataque contra Israel, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.
Em retaliação do ataque do Hamas, Israel lançou uma operação militar em grande escala na Faixa de Gaza, que provocou mais de 72 mil mortos, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.
Um acordo de cessar-fogo está em vigor desde 10 de outubro de 2025.
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