França investiga ex-ministro Jack Lang por revelações do caso Epstein
- 07/02/2026
A investigação diz respeito "aos factos revelados pelo [canal] Mediapart relativos a Caroline e Jack Lang" e às suas alegadas ligações ao financeiro norte-americano e criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, afirmou a PNF, confirmando uma notícia do Le Figaro.
O nome de Lang, atual presidente do Instituto do Mundo Árabe (IMA) em Paris, e o da sua filha mais velha Caroline, surgem num novo lote de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça norte-americano, referentes, nomeadamente, a uma transação imobiliária offshore em Marrocos e a uma empresa estabelecida num paraíso fiscal.
Lang foi ministro da Cultura (1981-1986 e 1988-1993) durante os dois mandatos de sete anos do governo de esquerda de François Mitterrand.
Em 2013, tornou-se presidente do IMA, que divulga a cultura árabe, e o seu mandato foi renovado no final de 2023 por mais três anos.
De acordo com uma investigação publicada na segunda-feira pelo site francês Mediapart, baseada nestes documentos, Caroline Lang, profissional da indústria cinematográfica, fundou em 2016 com Epstein uma empresa, a Prytanee LLC, sediada nas Ilhas Virgens Americanas.
Em março de 2015, conforme as mensagens, a família de Lang, incluindo a mulher Monique, negociou com Epstein a venda de um riad em Marraquexe, o "Ksar Masa", como intermediária.
Questionado pelo Mediapart sobre este episódio, Jack Lang indicou que não se lembrava bem da história, acreditando que tinha simplesmente passado as exigências do vendedor, sem comentários.
Embora Jack Lang afirme ter ficado "completamente surpreendido" ao descobrir os crimes sexuais de Epstein, que morreu na prisão em 2019, as trocas de e-mails publicadas detalham discussões comerciais diretas entre a família Lang e o criminoso sexual.
Em declaração à AFP, na segunda-feira, Jack Lang não abordou estas ligações financeiras da sua família, mas enfatizou o contexto da sua relação com o Epstein, que conheceu "há cerca de quinze anos" através do cineasta Woody Allen.
"Aceito plenamente as relações que possa ter formado, numa altura em que nada sugeria que Jeffrey Epstein pudesse estar no centro de uma rede criminosa", afirmou Lang, de 86 anos, num comunicado enviado à AFP.
"Um generoso mecenas das artes, [Epstein] era uma figura constante na alta sociedade parisiense da época. Ficámos encantados com a sua erudição, a sua cultura e a sua curiosidade intelectual", explicou.
Caroline Lang é mencionada num testamento assinado por Epstein dois dias antes da sua morte, prometendo-lhe 5 milhões de dólares, quantia que alega não ter recebido, a par de ter solicitado a liquidação da sociedade conjunta.
A filha do ex-ministro reconheceu ao Mediapart que não tinha declarado às autoridades fiscais francesas a empresa com Epstein, mas declarou que "não investiu qualquer dinheiro nela" e que não tinha "compreendido as implicações".
O executivo francês afirmou hoje que Jack Lang deveria "pensar na instituição" do Instituto do Mundo Árabe, face às revelações do caso.
"O Eliseu e Matignon pediram aos ministros envolvidos que convocassem Jack Lang e lhe pedissem para pensar na instituição", afirmou a equipa de Emmanuel Macron.
Os ministros das Relações Exteriores e da Cultura têm a tutela do Instituto do Mundo Árabe.
A divulgação de três milhões de documentos da investigação ao criminoso sexual norte-americano Jeffrey Epstein reacendeu controvérsias que atingem figuras políticas, a realeza britânica e instituições internacionais, com impactos em França, Reino Unido, México, Noruega e Rússia.














