Fórum de famílias de reféns israelitas saúda fim da luta para os reaver
- 27/01/2026
"Hoje, 843 dias depois, essa missão foi concluída. Todos os 255 reféns regressaram a Israel. Quarente e seis deles foram raptados vivos e assassinados em cativeiro. Com o regresso de Rani Gvili, um herói que deu a vida a defender a sua comunidade, podemos finalmente afirmar: já não há reféns em Gaza", afirmou o fórum em comunicado.
O exército israelita anunciou hoje que localizou e identificou os restos mortais do polícia Ran Gvili, o último dos 251 reféns levados para a Faixa de Gaza nos ataques liderados pelos islamitas do Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul do Israel, que desencadearam a guerra no enclave palestiniano.
Ran Gvili tinha dupla nacionalidade, israelita e portuguesa, segundo a Comunidade Judaica do Porto.
"Pela primeira vez desde 2014, já não há reféns em Gaza", destaca o Fórum das Famílias, referindo-se aos cativeiros mais antigos no território palestiniano até aos acordos de devolução a Israel durante várias tréguas desde o início do conflito.
No seu comunicado, a entidade, que promoveu ao longo de dois anos manifestações em grande escala em Telavive e Jerusalém sob o lema "Tragam-nos de volta para casa", observa que "o que começou como um momento de choque inimaginável" tornou-se numa das "mais determinadas lutas cívicas, morais e humanitárias da história".
O fórum considera que este momento "pertence não só às famílias, mas também aos milhões de pessoas em Israel e em todo o mundo" que deram o seu apoio, expressando gratidão a todos os governos, organizações, jornalistas e indivíduos "que se recusaram a desviar o olhar, que levantaram a voz, exerceram pressão e acreditaram que esta missão poderia ser concluída".
O anúncio da localização e identificação pelas forças israelitas ocorreu um dia depois de o Governo israelita ter indicado que os seus militares estavam a realizar uma "operação em grande escala" num cemitério no norte da Faixa de Gaza para os localizar.
O polícia israelita foi abatido durante os ataques de 07 de outubro de 2023, que provocaram cerca de 1.200 mortos.
"O sargento Ran (Rani) Gvili, de Meitar, era combatente da Yassam Negev no Distrito Sul da Polícia de Israel. Ran tinha muito orgulho em ser polícia e em usar o uniforme azul", recorda hoje o fórum.
Na manhã do "Sábado Negro", como apelida o dia dos ataques liderados pelo Hamas, Ran Gvili estava em casa a recuperar de um acidente de mota e sofria de uma fratura no ombro, prossegue, na reconstituição da sua morte.
"Ao saber da infiltração terrorista, vestiu imediatamente o seu uniforme e saiu para ajudar os seus companheiros de unidade nos combates. No caminho, encontrou terroristas e lutou com coragem e determinação na linha da frente, à entrada do Kibutz Alumim", relatou o fórum.
O comunicado, descreveu que, ao fim de vários meses, "as averiguações concluíram que, após uma batalha feroz, e só depois de as suas munições terem acabado, Ran caiu em combate e foi levado para Gaza", referindo que as suas ações deram---lhe o titulo de "Ran, o defensor de Alumim" entre os os membros da comunidade do kibutz.
"Com os seus ombros largos e sorriso radiante, era pura bondade. Um verdadeiro amigo, amado por todos. Amava a vida, era um jovem de valores profundos, falava sempre de igual para igual e tinha uma presença forte, mas serena. Com 24 anos à data da sua morte, Ran deixa os pais, Talik e Itzik, o irmão Omri, a irmã Shira e outros familiares", indicou ainda o fórum.
Nas primeiras da entrada em vigor do último cessar-fogo, que está em vigor desde 10 de outunro, os islamitas palestinianos entregaram todos os últimos 20 reféns vivos ainda na sua posse, mas os corpos dos restantes 28 foram sendo devolvidos gradualmente, devido a alegadas dificuldades na localização entre os escombros do território devastado em dois anos de guerra.
Em troca, Israel entregou centenas de corpos e prisioneiros palestinianos e iniciou uma retirada militar parcial da Faixa de Gaza, a par do compromisso com a entrada de ajuda humanitária no território.
Em retaliação dos ataques do Hamas em outubro de 2023, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 71 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo grupo islamita, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.
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